TIPOS DE SKATISTA QUE VOCÊ ENCONTRA NA ROOSEVELT

13/05/2016

Texto por Filipe Maia / Ilustração por Raphael Galassi

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Ah, a Praça Roosevelt… Talvez o pico de skate mais famoso em São Paulo é também o ponto de partida e/ou de chegada de sessões.
Depois da sua reforma em 2012, a Praça que já era bastante frequentada por
skatistas, ganhou muito mais visitas. Por ser no centro, a galera de todas as
partes da cidade se reúne para decidirem se andam por lá ou pra ir pra outro
pico. Com tanta gente andando na praça diariamente, esses são alguns tipos de
skatistas que você vai encontrar na Roosevelt:

O “local master”

Como o próprio nome diz, o mano é local da Roosevelt. Está
lá todos os dias, de skate ou não, sempre fazendo a escala “de tarde na parte
de baixo e a noite perto dos bares” de locais a ser encontrado; já andou em
todas as bordas da praça e é um dos maiores responsáveis pelas marcas de vela
que tem ali; conhece todo mundo, cumprimenta todos os caras que vendem pizza
por lá; sabem a hora que passa a viatura policial e até conhecem os lugares
mais escondidos pra fumar seu baseado. Até que anda bem, mas cola tanto lá que
as marcas não o patrocinam porque, definitivamente, ele não sai de lá!

O “amador que quer virar pro”

Está presente andando pela praça toda, mas geralmente se
interna na skate Plaza da parte de baixo da praça e a noite sobe as escadas
para treinar manobras no solo. Ele não liga de atrapalhar os outros mas fica
puto quando é atrapalhado por alguém mais prego que ele. Está sempre fazendo um
milhão de linhas cabreiras pela praça ouvindo um rapão gringo da moda em seus
headphones e imitando o jeito do TX ou do Gerdal de dar as manobras. Já é
patrocinado por marcas legais mas é um babaca arrogante porque todo mundo fica
falando pra ele que ele anda muito.

O “moleque foda do centro que tem um puta futuro”

Geralmente fica na parte de baixo da praça, na região da
skate Plaza; vai pra escola de manhã, almoça e vai pra Roosevelt na sequência.
Anda sem parar até o sol se por ou até a mãe chamar para jantar. Já tem
manobras legais na manga mas ainda falta um pouco de estilo; Anda em todos os
obstáculos da “skate plaza”, desce corrimãos, dá ollie no gap e se interna nas
bordinhas até dizer chega! Está sempre na bota de algum dono de marca e já tem
apoio de alguma skateshop ou é flow de alguma marca da hora. No futuro pode ser
um amador que quer passar para pro ou um local máster, dependendo de como as
coisas rolarem pra ele.

O “semi tio que vai no pós expediente”

Está na casa dos 30 anos de idade e já sabe que não tem
nível suficiente para viver andando de skate então trampa o dia inteiro em
qualquer outra coisa mas vai andar na Roosevelt depois do trabalho. Anda sempre
na parte de cima da Roosevelt porque sabe que se for para a skate Plaza, vai
atrapalhar todo mundo. Desanima de andar quando os picos da praça estão muito
cheios também por achar que vai atrapalhar todo mundo, então procura sempre um
canto mais vazio. Geralmente é gente fina com todo mundo, demora pra caralho
pra voltar uma manobra que outros caras achariam super simples, mas fica feliz
quando acerta aquela linha suada da noite. As sessões sempre são regadas ou
terminam com cerveja e, portanto, o físico de “atleta” já é comprometido pela
barriguinha saliente de cachaça.

O “não ando de skate mas conheço tudo sobre isso”

Está sempre nos kits da moda de skate, mesmo que no pé
esteja um air Max ou algum outro tênis confortável e caro. Tem uma porrada de tatuagens e trabalha em alguma loja da galeria do rock. SEMPRE tem maconha e
é visto fumando com frequência. Tem um skate mas quase nunca anda, apesar de
saber tudo sobre skate e falar com propriedade sobre manobras e vídeos. Está
sempre nas festinhas de skate e premières de São Paulo e seu role sempre acaba
na Roosevelt fumando maconha, é claro.

O “moleque ruim fã do Luan”

Ele está pela praça toda. Com peças horríveis e um nível de
skate pior ainda, sempre atrapalha todo mundo e quase sempre nem sabe que
atrapalhou, apesar de pedir desculpas. Quando um profissional ou amador anda
por lá, ele senta pra vê-lo andar, mesmo não conhecendo o nome do mano que está
assistindo. Só existe o Luan de Oliveira de skatista foda pra ele no mundo e o
seu sonho é ser um próximo Luan. Fica fazendo vídeos de celular de linhas
horríveis com seus amigos, mas, por outro lado, é um dos que mais se diverte
andando de skate pela praça!

O “pro de passagem”

Já é skatista profissional e acha a Praça Roosevelt uma
merda. Cola lá pra trombar os amigos e ir pra outra sessão. Acha que a praça
tem uma puta radiação e quando anda lá fica reclamando de tudo, apesar de
marretar a praça inteira. É visto por no máximo 20 minutos na Praça e quase
nunca está andando de skate, até porque, como dissemos, acha a praça uma merda.

 

Se você se identificou com algum desses, parabéns, você é
mais um frequentador assíduo da Praça Roosevelt! Se nada disso condiz com você,
frequente mais e seja feliz! A Praça é um reduto do skate paulista e você vai
curtir algum cantinho da “Roose”, com certeza. Nos vemos lá!

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