Jovontae Turner, Fabio Cristiano, Dane Brady e Stranger Things

Zapeando o facebook, me deparo com um vídeo de 1992 das
filmagens cruas do Questionable da Plan B. Nele, um jovem Jovontae Turner
manobrava no Embarcadero fazendo linhas pra cima e pra baixo dos famosos degraus
de lá. Por um momento, fiquei propenso a pensar que aquilo era 2017 e que o
skatista ali era alguém novo da cena. Pensei que podia ser algum app que
imitava as imagens de VHS, porque fora isso, era como se visse qualquer
instagram de um moleque de hoje em dia.

As calças largas que mostravam as meias, os tênis todo
preto, as manobras de pressure e bigspins em linhas infinitas… Tudo isso foi
e voltou. Até os shapes com formatos diferentes dos “tail e nose
redondos” estão vendo a luz do dia atualmente de novo. Arrisco a dizer que
até o corte de cabelo do Jovontae está na moda em 2017! Isso me faz lembrar o
artigo em que falei dos ciclos do skate para a Revista Cemporcento Skate
e vou
retomar isso em instantes.

O Jovontae Turner de 1992 tem um estilo e flow únicos que,
em um skate underground, é mais valorizado que uma medalha olímpica. Muita
gente tenta copiar esse estilo, mas é inevitável a barreira que existe entre o
saber e o ser. Ele É style. É como ver o Fabio Cristiano andando de skate pra
se divertir. As manobras fluem sem esforço e sem ser brega. É uma classe aliada
à certeza de que aquilo lhe é o seu porto seguro. E como é bonito de ver esses
caras andarem!

O que está acontecendo é que o skate está ficando velho o
suficiente para se ter suas primeiras revisitas históricas. Já temos 50+ anos
de existência e com o advento da internet e sua facilidade de arquivar,
pesquisar e alcançar coisas antigas, estamos revendo alguns aspectos retrô que,
em outro momento anterior, não fomos atrás porque ainda estávamos escrevendo
nossas próprias histórias. Ah, não estou dizendo que não estamos criando nada.
Mas talvez hoje em dia peguemos nossas próprias influências, do nosso próprio
universo, para aliar ao mundo moderno e criar novas tendências. É como pensar que
um dia o Natas Kaupas deu um No Comply na rua e hoje descemos escadas e usamos essa
manobra em diversas variações e combos. É a adaptação.

O Dane Brady da Polar Skate Co. é um bom exemplo de um bom adaptador.
De roupa a formato de shape, passando pelas manobras, o moleque parece ter saído
de uma máquina do tempo. Ele seria facilmente amigo do Mike Carroll de 1991 e provavelmente
teria andado para a Plan B em algum momento desse early 90s.

Shape do Dany Brady da Polar tem o formato diferente dos popsicles que estamos acostumados 

Essa é uma parada que está acontecendo não só no skate. Se a
gente parar pra pensar, o Stranger Things da Netflix é uma série nova baseado nos
anos 80; as pessoas estão tirando muitas fotos analógicas novamente; as marcas de
fora do skate estão buscando inspiração nos neons e nos kits dos anos 80/90; até
na música eletrônica estamos vivendo um revival de estilos comuns do começo dos
anos 90. Então tá todo mundo bebendo da fonte new wave e o skate, como segue tendências,
dificilmente ia escapar dessa.

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