Eu odeio o tanto que te amo

Já estamos na última edição da Cemporcento do ano e, caramba, como o ano passa rápido. 2017 foi um ano que trouxe muita coisa pro skate, principalmente em termos de manobras e de atitudes de skatistas. Mas essa minha última coluna do ano não é tão positiva assim. (Spoiler e um pedido de desculpas antecipado se esse texto te deixar deprê de alguma forma).

Esses dias eu estava conversando com o Cadu, um amigo próximo, sobre a quantidade de tempo que a gente passa andando de skate ao invés de estarmos fazendo outra coisa. Poderíamos estar aprendendo algo novo, estudando coisas interessantes, lendo um livro, dando atenção para outras pessoas, se empenhando nos trabalhos etc. Não que andar de skate não seja produtivo, mas tem vezes que, inegavelmente, não é. Tem dias que a gente sai pra andar de skate sabendo que vai ser uma bosta e é uma bosta. Aquela parada de “só de remar já está bom” nem sempre é verdade.

E aí a gente se frustra. Se frustra porque queria andar melhor ou porque queria ter acertado a manobra. Se frustra também porque sabe que poderia ter feito outra coisa, mas não, foi andar de skate. Andar de skate é a melhor coisa do mundo? Talvez seja mesmo (e pra quem ama a parada como eu e o Cadu, é!), mas não é a única. E quanto tempo a gente “perde” por nos impormos que PRECISAMOS ANDAR em todo e qualquer tempo livre?

Uma namorada já disse: “o skate é a coisa mais importante do mundo pra você e não tem ninguém acima dele”. E realmente é mas, não se engane, ela não falou isso de uma forma alegre. Para ela, peço desculpas. Gostaria que fosse diferente, mas não sei fazer com que seja.

Uma coisa é fato pra quem é prego: se não andar sempre, você não vai ter o skate em dia. Não vai mandar nem as que você sabe. Eu não sou um Shane Oneill da vida que vai saber o que fazer se ficar parado por uma semana sem andar. Eu PRECISO andar com constância pra, pelo menos, me sentir satisfeito ao fazer isso. E isso também é uma merda! hahaha.

Mas fora o ato de andar, acho que sair pra rua com seu skate implica em muito mais que isso e é, talvez, 50% do porquê saímos para remar. Estar na rua com os amigos é uma parada MUITO foda. Mas ainda: não é tudo.

Então o negócio é não se martirizar se você pegar um dia pra fazer as coisas da faculdade e não andar. Não se achar um merda se um dia você ficar o dia inteiro pintando ao invés de tentar aquela trick na borda. E se você ficou 6 meses sem pisar no seu skate pra aprender marcenaria, tá tudo bem. A vida não é só skate. PELO AMOR DE DEUS, não tem que ser só skate.

Nesses outros afazeres, aprendizados e vivências é que eu deveria (e você também) tirar as sua influências pra que, ao pisar no seu carrinho pra remar, você não seja ninguém diferente de você mesmo.

#skateésóumpretexto

(Originalmente este texto foi lançado na revista Cemporcento Skate #206 na coluna do Trocando Manobras. Saiba mais aqui)

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E não é mesmo.

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