A gente tem que mudar a forma que tratamos nossos ídolos

Está acabando a Copa do Mundo de 2018 na Rússia e o Brasil não arrumou nada. Eliminados pela Bélgica, o time brasileiro saiu fora nas quartas de final em mais uma tentativa em copas. Mas você deve estar se perguntando “por que estamos falando de futebol em um site de skate?” e, calma, a gente já vai falar de skate também.

Quando o jogador de futebol vai bem, a mídia endeusa o cara, põe ele lá em cima. Mas quando vai mal… Quantos “novos gênios” não aparecem ano a ano pra mídia especializada? Quantas novas promessas não tem o gostinho da fama e morrem na praia com a mesma força que alcançaram o estrelato? Quantas mesas redondas constroem e destroem o jogador sem nem pestanejar? A resposta pra todas essas perguntas é que isso existe e muito.

Os jornalistas de esporte dos grandes meios de comunicação (e por esporte leia-se FUTEBOL, porque no Brasil é o que se entende por esporte porque dá dinheiro) não levam em consideração que o jogador ali que eles endeusam não é um deus, não é uma máquina, mas sim, um ser humano. Um cara que tem seus dias ruins, que tem suas decepções fora das quatro linhas, que fica puto, que fica preocupado com assuntos de fora do futebol etc. O jornalista esportivo tem que entender e aceitar que o jogador de futebol faz muita merda. Principalmente os mais badalados.

Mas quando o ídolo faz merda, a gente não pode passar pano. A imprensa não pode deixar de falar das inadimplências, das falcatruas, dos assédios, das agressões, dos machismos, das grosserias… A mídia não pode passar esses panos! Se os clubes, as confederações e as marcas patrocinadoras são coniventes com as atitudes dos atletas por interesses financeiros, a mídia não pode ser. Não podemos criar esses monstros.

No skate então, menos ainda! Uma atividade que julga ser tão livre, tão igualitária não pode criar monstros. Não podemos passar pano pra quem bate em mulher ou pra quem é escroto com as marcas que o patrocinam, por exemplo. Não podemos abraçar ideia de quem abraça ideia de fascista, isso simplesmente não faz sentido no skate. Ou passar pano pra quem, por exemplo, abraça político safado, se esquecendo da sua própria história e do movimento que carrega consigo no seu nome.

E olha, isso VAI acontecer com o skate também, viu? Se a gente permitir que a grande mídia, totalmente desespecializada e despreparada entre no nosso mundo como a gente tem permitido ultimamente, isso vai se repetir por aqui também. Ou você já não ouviu o papo “fulano é um merda mas anda pra caralho?”. Mas na TV ele parece ser mó legal…

O ídolo é igual a gente. O ídolo faz merda, usa droga, se perde nas ideias as vezes, tem seus dias bons e ruins. E por muitas vezes você é muito mais dahora que a pessoa que você idolatra! Você tem atitudes mais legais, habilidades em outras coisas que ele não tem e por aí vai. Então se seu ídolo não te trata por igual, é hora de dizer adeus.

One Comment

  1. cara o que me deixa triste é que quando se revela uma atitude merda de um skatista famoso eu nem fico surpreso. A comunidade skatistica se reveste muito num discurso de humildade “família skateboard”, mas a maior parte tem posturas muito duvidosas, entre machistas, racistas, coxas e tudo mais.
    Falta autocrítica por nossa parte, e falta parar de passar pano pra atitudes tóxicas.

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