Futebolização da indústria do skate

 24/09/2012    

         O mercado de skate mudou. Grandes companhias multiesportivas entraram no nosso mundo, engendrando muito dinheiro e formando seus times. Campeonatos multimilionários passaram a ser o centro das atenções mensais no cenário mainstreem. Mas e o público, mudou também?

           Sim, mudou. O skate não é mais tão marginal quanto antigamente. O skate se tornou interessante aos olhos de todo mundo, desde crianças até os mais velhos estão aderindo à nossa classe, comprando nossos produtos e usando nossas pistas. O que não é ruim, pois nos possibilitou uma entrada na sociedade, ganhando mais visibilidade, mais espaços para a prática, mais interesse e, querendo ou não, mais dinheiro.

          Essa mudança se deve, sim, à entrada de grandes marcas no mercado de skate, principalmente a Nike e a Adidas, que abriram as portas de suas fábricas para o carrinho, montaram times absurdamente bons e injetaram muito dinheiro no game. Muitos contestam a participação dessas marcas no mercado por não serem, inicialmente, dedicadas ao skate (marcas “core”), porém, é válido lembrar que muitos eventos, campeonatos e atividades estão sendo, majoritariamente, patrocinados por essas marcas e estão sendo realizados através delas.

          Paralelamente ao skate, a Internet trouxe ao público, a voz. O receptor virou emissor e tem, online, a possibilidade de produzir e divulgar seu conteúdo. Qualquer um, hoje, tem o poder de falar e mostrar o que quiser para quem quiser.

           Porém, um fator vem chamando a atenção nos últimos anos. O skate tem gerado discussões futebolísticas pelos que o acampanham. O evento Street League é a maior prova disso. Muitas “torcidas” se formaram, gerando comentários nas redes. O #fucknyjah no Twitter é um exemplo disso. Quando que, um atleta, que vem se consagrando um dos maiores de todos os tempos, ganhou antipatia só por ser bom demais e ganhar campeonatos? Sim, estamos vivendo isso. As próprias marcas compartilham dessa ideia “futebolística” da cena, quando deixam de apoiar um skatista por ele não estar usando sua camiseta com o logo gigante naquela foto, ou por ele estar machucado por tempo demais e não estar constando nos rolês.

            Estamos na futebolização do skate. Muitos preferem perder o tempo odiando algum atleta a ir para a rua andar de skate. Marcas tem seus próprios “torcedores” que acabam SÓ comprando aquela marca e fazendo comentários negativos da marca “rival”. O skate não era assim.  O público de skate não era assim. Os verdadeiros são eternos, mas o mercado está, cada dia, mais cruel.

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