O ídolo americano em terras brasileiras

29/09/2012  

            Nós temos nossos skatistas favoritos, aqueles que sempre acompanhamos, vemos vídeos, fotos e ficamos empolgados a cada coisa nova que ele faz. É normal, a admiração se dá por conta de estilo, habilidades ou por qualquer outra forma de identificação. O ídolo é importante para o skatista, ele dá até um gás a mais na hora de fazer a sessão.

              Por muitas vezes, o ídolo não precisa nem ser, necessariamente, alguém que não conhecemos. Pode ser aquele parceiro de sessão, o amigo mais próximo ou alguém que encontramos esporadicamente. Ídolo é ídolo, cada um tem o seu.

              Com todos os ídolos, tem, é claro, aqueles que são ídolos da maioria, skatistas de maior nome e uma maior legião de fãs que os seguem. Em setembro deste ano, parte do time norte-americano da Nike veio ao Brasil e isso pode ser nitidamente observado. Paul Rodriguez veio à terras tupiniquins, junto com Ishod Wair, Donovan Piscopo, Daryl Angel os brasileiros Fabio Cristiano, Cezar Gordo, Rodrigo Gerdal e Luan de Oliveira, que acabara de entrar na Nike e fizera sua primeira tour com os caras.

               Eu fui às demos em São Paulo e puder ver de perto o quanto Paul Rodriguez e Luan de Oliveira têm fãs. O negócio foi absurdo. Em Santo André, no parque Ana Brandão, mais de quatro mil pessoas foram ver os caras andarem. O clima de tensão (no bom sentido) era visível ao chegar no parque. Cheguei com meus camaradas as 11 da manhã e encontrei outros que já estavam lá desde a noite anterior, acreditem! Dormiram na parte externa do parque apenas para verem o time da Nike e para testar um tênis que não levariam para casa e teriam apenas 10 minutos para desfrutá-lo.

             A demo estava marcada para as duas da tarde, mas, de manhã já se via muita gente esperando os caras. Quando, de tarde, as vans pretas da Nike chegaram, a aglomeração e correria estavam presentes. Gritos histéricos e nomes foram ecoados aos lados do Ana Brandão. Os caras chegaram, passaram pela multidão e foram andar. O público, essa hora, enlouqueceu. A pista, fechada por grades, ficou tomada de olhares atentos a cada movimento dos skatistas e a cada manobra. O engraçado dessa apresentação foi que, os “Nike Boys” queriam andar, mas os fãs não entenderam isso. Acharam que era um evento onde iriam tirar fotos e receber autógrafos. Os skatistas estavam ali para andar de skate. Um fato me chamou a atenção: os fãs viam que o skatista se aproximava da área onde estavam e começava a gritaria: “TIRA FOTO, TIRA FOTO!” e aí ele passava remando por eles e outros gritos eram ouvidos: “VAI TOMAR NO CÚ, ENTÃO!”.

           Um ponto que é importante destacar é que, a “titularidade” dos caras como ídolos não é a toa, os caras andam MUITO de skate. Luan e Paul Rodriguez, que foram os mais assediados são monstros do nosso esporte e é merecida toda essa admiração por esses caras.

          Mais tarde, a tarde de autógrafos no Shopping Bourbon, ao lado do estádio do Palmeiras, na Barra Funda, teve um aspecto de celebridade. Os atletas foram escoltados por gigantescos seguranças de terno preto, como se fosse a Xuxa  ou o Pelé. Talvez, para aqueles garotos que ali estavam, os skatistas significavam mais que Xuxa e Pelé para eles, mas pra nós, que apenas queremos apreciar o bom skate, aquilo era muito estranho.

           Os outros rolês dos caras foram mais tranquilos. No dia seguinte da demo em Santo André, o time da Nike foi ao lendário escorregador do Parque da Independência no Museu do Ipiranga para filmar. Como local, posso afirmar que fazia muito tempo que não se via um público tão grande para ver uma sessão de skate. Detalhe: Paul Rodriguez e Luan de Oliveira não foram, então a sessão ficou por conta de Ishod, Daryl, Donovan e os brasileiros Gordo, Gerdal e Fabio Cristiano.

            O público do Museu foi gentil e deixou os caras andarem numa boa, respeitando o momento deles e entendendo que eles poderiam nunca mais estar ali naquele pico. O espetáculo ficou por conta de Ishod Wair e Fabio Cristiano. O dragão e o dragãozinho, como eram chamados, botaram o escorregador no bolso. Ishod deu inéditas e viu aquele pico de forma diferente e o Fabio brincou de andar de skate, como sempre faz, levando o nível para cima. O assédio dos fãs foi tranquilo, apesar de não poder imaginar como seria se Paul e Luan estivessem ali.

            Inteligentemente, a Nike Skateboarding Brasil, que fazia toda a cobertura da visita dos caras ao Brasil e postava diariamente fotos deles em seu Facebook, postou, após a sessão no Ipiranga, que o time estava se despedindo de São Paulo e encerrando sua tour. Foram inteligentes, eles não estavam indo embora, mas aquilo dispersou a atenção dos fãs para as futuras sessões na terra da garoa.

        Nesta semana, coincidentemente, o vídeo da Matriz foi lançado no Cine Olido, no centro de São Paulo e, é claro, que ali foi mais um evento para os skatistas visitantes irem. O cinema estava lotado e, quando Luan e P-Rod foram avistados, uma pequena multidão de skatistas e skates foram para cima dos caras para pedir autógrafos e fotos. Foi um número pequeno de pessoas comparado a outros dias, mas, deu para perceber que, nem no cinema os caras escaparam.

        As outras sessões foram tranquilas e se seguiu assim até o fim da semana, quando foram embora. As festas e picos estava mais vazios para que os skatistas gringos pudessem fazer seu rolê tranquilamente. Foram embora após 12 dias de Brasil.

Conversando com os caras, deu para perceber que, apesar da reação dos fãs, que, a principio foi um choque pros caras que não esperavam tanto carinho, eles gostaram demais do Brasil. Foram a ótimos picos, andaram tranquilamente, filmaram, comeram bem e fizeram novos amigos em terras brasileiras. Daryl Angel disse: “O melhor foram as novas amizades feitas, a gente vai voltar pra casa pensando nos novos amigos e desejando-lhes tudo de melhor”.

          É compreensível o agito que um cara como Paul Rodriguez faz quando vai a lugares que não costuma ir. P-Rod, além de ter habilidades incríveis em cima do skate, traz consigo toda uma história de juventude e de aproximação com fãs. Paul é o que todo skatista jovem quer ser: habilidoso, ter patrocínios incríveis, conhecer gente incrível e ter carisma. Ele pode não ser o ídolo de todos, mas é, com certeza, respeitado por todos.

              O público brasileiro, por sua vez, tem sua colher de chá nesses fatos, também. Foi possível perceber que o público das demos era, na sua maioria, muito jovem e, talvez, não tinha tempo de skate suficiente para entender a complexidade de toda uma carreira de skate e o que rodeia essa história. Não é culpa deles, muito pelo contrário, eles não estão nada errados. Quando será que P-Rod e Luan estarão juntos em São Paulo novamente para dar um rolê? É uma oportunidade única e os garotos querem aproveitar isso da melhor forma possível, mesmo que essa não seja a mais confortável para o skatista. Cabe a ele e as marcas que o patrocinam entender o fato e aproveitar a viagem.

Frases curiosas dos dias de Nike no Brasil:

Skatista vindo: ” TIRA FOTO, TIRA FOTO!” Skatista passando e indo andar de skate: “VAI TOMAR NO CÚ, ENTÃO!”.

No Museu do Ipiranga: “O Paul Rodriguez taí? Não? Ah, então deixa queto…”

Demo em Santo André, garota diz: “Eu vi o Luan, estou passando mal, ele pegou na minha mão!”

Demo em Santo André, mesma garota: “Velho, vou descobrir onde ele vai e vou toda gostosona pra ele me ver!”

Demo em Santo André, outra garota: “ Paul Rodriguez? É muito amor…”

No Museu do Ipiranga, Daryl Angel dá shape para garoto e o pequeno diz: “Não tem um novo? Esse já está usado…”

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