ENTREVISTA RODRIGO POZÃO – MIL VIAGENS DE UM SKATISTA LEAL

04/12/2012

Na bagagem de Rodrigo Pozão, além de muita manobra e muitos campeonatos, a gente pode encontrar muitas viagens. O skatista de 22 anos já rodou boa parte do estado de São Paulo, sul do país e até mesmo, viagens internacionais como Chile e Barcelona. Local da Pista da Saúde e do Museu do Ipiranga, Rodrigo sentou com o Trocando Manobras e contou um pouco de tudo: da sua experiência nas trips, histórias inusitadas, seu background e quais são suas metas a alcançar no skate.

Você acabou de voltar do Matriz Skate Pro, em Porto Alegre. Conta um pouco como foi essa viagem.

Então, foi muito louco, eu colei pra lá, mas tinha comprado a passagem antes de saber que o amador ia ser no próximo final de semana, mesmo assim, fui para assistir. Queria pegar um pouco a vibe, porque é muita energia de skate, muita gente andando de skate… Porto Alegre é muito dahora, todo mundo te recebe bem, todo mundo é humilde, troca ideia, é muito bom! Só que rolou a zica de chover no dia e acabou não rolando no sábado (O Matriz Skate Pro), e no domingo tinha outro campeonato em Caxias do Sul e, na casa onde eu estava, os caras iam colar pra lá, aí fui com eles. O que também foi muito dahora, porque conheci mais uma galera, fiz um rolê…  Todo mundo lá elogia, olha, percebe seu rolê… Foi muito louco, valeu a pena o rolê e a viagem foi boa, boa pra conhecer mais pessoas e pegar mais experiência.

Conta pra gente quantas viagens você já fez e quais os picos.

Puts, já fiz várias viagens… No interior de São Paulo, já fui para Ribeirão Preto, Sertãozinho, Rio Claro, São Carlos… Todas essas para correr um circuito que tinha ano passado e tinha muitas etapas, e eu colei em bastante delas. Fui duas vezes pra fora, fui pra Barcelona ano passado e esse ano fui pro Chile, mas essa fui mais pra ficar com minha mina… E agora Porto Alegre, pela terceira vez.

Quais das viagens que você fez foi a mais marcante? Por quê?

Ah, com certeza, Barcelona. Todas foram muito dahora, principalmente as de Porto Alegre, mas Barcelona sempre é Barcelona… Até porque fiquei mais dias, foi mais intenso o skate.

Barcelona é tudo isso mesmo?

É, é foda sim. Pra quem quer andar de skate, render imagem, ou pra quem quiser curtir… O que você quiser tem lá. Se você quiser ficar de boa, dá. Mas, no skate, é realmente impressionante, o paraíso do skate mesmo.

Então, eu já ouvi dizer que Barcelona está ficando um pouco abarrotado de brasileiros, skatistas e que, talvez, os picos já estejam se esgotando, muita manobra já foi dada em diversos locais ali. Você acha que ainda tem pico pra filmar, tem manobra a ser dada ainda lá em Barcelona?

Pico pra andar tem. Cada esquina, pelo menos,  tem um pico pra você dar uma manobra, treinar. Mas Barcelona é hoje o foco de todo mundo, tem muita gente indo pra lá. Está até mais fácil de ir por causa da crise que tem na Europa, eles estão aceitando bastante turista. Por isso muita gente está conseguindo ir, e todo mundo que vai gosta, lógico. Cada vez mais, mais pessoas vão, mas bastante gente está procurando novos picos, menos explorados.

Alguma história interessante você quer compartilhar?

Tem, sempre tem. A segunda vez que fui pro Sul foi muito engraçado. A primeira, fui com o Rodrigo Inácio e foi muito engraçado, também. Sempre tem umas histórias loucas de viagem. Mas agora, a mais absurda eu não lembro…

Quais as dificuldades pra um skatista amador achar seu espaço em São Paulo?

Várias coisas. São Paulo é tudo um pouco mais difícil. Tem o trânsito, transporte caro, é tudo caro. Então, se você não tem um suporte, se você é do corre mesmo, que nem a maioria, é difícil, porque sempre falta dinheiro pra peça, campeonato… As vezes o cara deixa de correr um campeonato porque não  tem dinheiro ou porque a peça está ruim. Tem as viagens também… É, na real, a maior dificuldade mesmo é o dinheiro, se você não tem um suporte, alguém que possa te ajudar a, realmente desenvolver o skate, é mais difícil…

É um corre dobrado, né?

Exatamente, você acaba fazendo dois trabalhos: se promover e andar de skate. Então, se você tiver alguém te ajudando, é sempre melhor. Mas isso não impede ninguém, nunca é desculpa.

Você é de uma geração igual a minha, que começou a andar de skate numa fase de transição, quando o skate passava de ser marginal a ser considerado um esporte. Como você vê a cena do skate atual?

Por um lado eu acho bem dahora que está crescendo bastante e agora a gente não é mais daquela geração que você fala “sou skatista” e a família te vê como um ladrão e tudo mais. Mas quando eu comecei a andar de skate e entender o skate, isso ainda rolava. Agora isso não tem mais, está tudo muito exposto. Os caras tem muita informação, o que até a uns anos atrás a gente não tinha muito e agora os moleques tem muito.

Você acha que a Internet ajudou nesse crescimento?

Muito. Agora, qualquer um pode ter acesso a um vídeo que saiu ontem e se atualizar toda hora, é muito fácil a atualização, hoje em dia. Com isso, fica muito fácil as pessoas gostarem, por mais que seja uma moda, esses caras da moda, que a gente sabe quem são, são os que estão sustendando, gastando… Daqui a pouco os caras largam e os verdadeiros continuam.

Você gosta de correr campeonatos, muitos dizem que você é campeonateiro… Como você vê os campeonatos? Qual o grau de importância de correr campeonatos pra você?

Eu gosto bastante de campeonatos e, ao mesmo tempo, eu não gosto. Eu acho que o campeonato faz eu me puxar mais pro skate. Quando eu vou para um campeonato e não me dou bem, procuro ver onde eu estou errando e o que os moleques estão acertando e o que eu posso melhorar. Então, campeonato, para mim, é bom por isso, eu evoluo… E a importância dele é justamente essa, você testar sua constância. É foda, hoje em dia, tem muita gente andando muito bem, então se você ficar encanado em ganhar do outro, às vezes você pode ficar mais frustrado, porque é sempre os mesmos que ganham sempre… O cara cola tanto que é sempre ele que ganha, tipo o Kelvin, quando corria o Sampa, era só ele colar que ele já ganhava.

A importância do campeonato é, também, divulgar seu nome. Se você der uma manobra e sair uma foto sua ou um vídeo, nem que você não passe para a final, isso já vale o rolê. Você mostra que você está no dia a dia do skate, que está com o skate no pé.

Eu acho dahora isso, eu penso assim, tento me propor a fazer uma linha e se consigo fico feliz porque consegui fazer aquela linha e para mim é importante isso, já fico satisfeito.

Eu ando com você direto e é difícil te ver estressado por causa de skate. Qual sua vibe?

Ah, eu acho que você tem que andar pra você e pensar que tudo tem volta. Se você está fazendo certo, está fazendo o corre, uma hora você vai ser reconhecido e vão te direcionar para alguma coisa boa.

Se eu estou meio ruim no dia, vejo que vou ficar nervoso, já desencano, até para eu não me machucar… Andar estressado não dá certo, você se machuca… E, para mim, skate tranquiliza, eu posso estar estressado com qualquer coisa, mas na hora de andar de skate tudo passa. Pelo menos naquele momento, depois volta, mas naquela hora passa.

Planos futuros, alguma viagem em mente?

Ainda não. Ainda estou juntando dinheiro e vendo qual vai ser ano que vem, pois pretendo começar uma faculdade e vou ter que adaptar alguns horários… Mas pretendo viajar o máximo possível, até mesmo para correr campeonatos e conhecer a cidade e o pessoal de lá.

Eu quero ir pro Sul de novo, voltar para Porto Alegre, andar no IAPI. Quero, também, tentar ir para fora do país, planejar tudo direitinho e me atirar.

Agradecimentos

Queria agradecer todo mundo que sempre está andando de skate comigo. Você (Filipe Maia), que desde sempre acompanhou, sempre um correu pelo outro… Danilo e o pessoal da Paviment, o Japonês (Cesar Hideki) que está representando nos vídeos… Meus amigos, todos que me ajudam, minha namorada e todos que colaboram pra eu poder andar de skate. A todos que acreditam e sabem que uma hora é nois.

Mais algum salve? Alguma coisa que você queira falar?

Ande de skate para você mesmo, para a sua evolução pessoal e o que tiver que acontecer vai acontecer. Se você plantar vai colher.

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