ENTREVISTA: Guega Cervone

22/04/2013

No fim do mês de março, a Emerica Brasil apresentou pro mundo seu team rider Guega Cervone. Com imagens no Brasil e na Europa, o vídeo mostra como Guega é elegante nesse lifestyle chamado skate. Via Skype (tecnologia sempre a favor), conversamos sobre quais os processos que levaram a essa parte e outros assuntos. Confira:

Como surgiu essa parte?

Eu estava usando os tênis da Emerica já faziam uns 2 anos, mas, nesse tempo, estava aprimorando o trampo… E quando achei interessante para ambas as partes, combinei com o pessoal lá da empresa de fazer uma vídeoparte. Aí pedi uma passagem para a Europa, queria ficar 3 meses e aí calhou de gravar umas imagens lá… não tantas quanto eu queria, mas acabou rolando com outros caras que consegui que me filmassem.

Quando voltei para o Brasil, ainda não tinha a parte completa. O Eric (Veloso) me ajudou, como é filmer da Crail, ele me deu uma luz e saiu nas missões comigo nos últimos dias.

Então a ideia de fazer uma videoparte foi sua mesmo?

Aham, foi minha. Na real, videoparte para mim é como você anda de skate, sabe? É quando você vê um cara fazendo uma linha, você sabe como o cara rema, como ele bate, como ele mexe com o skate. Se você vê só em foto, o cara pode ter tentado um milhão de vezes, fez um moment bonito e saiu a foto. É o que eu acho.

Quanto tempo de filmagem?

Não foi uma parada contínua. Eu fiquei 3 meses na Europa mas filmei só um mês. Aí no Brasil, se fazia uma missão hoje, fazia outra em outro mês, tá ligado? Então, se for colocar o tempo certo da primeira até a última manobra foram seis meses.

E me conta, qual que é dessas suas amizades na Europa?

Tenho um amigo chamado Didrik Gallasso, que é filho de brasileiro. O pai dele tem uma casa de praia na Praia Grande. Um dia eu colei na Evolution, que me patrocina, e os caras estavam lá, o Didrik e um amigo dele, o Andreas. Conversamos, mostrei uns picos ali mesmo no computador, combinamos de andar de skate em São Paulo e os caras ficaram comigo uns 3, 4 dias, até voltarem pra Noruega.

Nisso, ficamos conversando na Internet e ele acabou voltando no outro verão, para o Brasil. Lá é muito frio no Inverno, é tipo -15ºC a temperatura e os caras querem muito vir para cá no verão para aproveitar. Eles vieram, eu fui pra lá… Acabei conhecendo um monte de gente. Numa dessas  vezes, conheci o Patrick (Mesquita) que morava na Noruega, e até então não o conhecia. Adicionei ele no facebook e ele falou: “vem pra cá! Tenho uma VX e vamo filmar!”. Para mim foi perfeito, eu estava fodido, pé recém quebrado e quis fazer uma deadline pra mim, para o vídeo Beats.. aí rolou e fui para lá.

Hoje tem uma conexão muito legal, todo ano vou para lá.

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Em uma das passagens por Oslo, na Noruega, Guega registrou esse nollie backside noseblunt. Bonito, né? Foto por Simen Fauske. A manobra pode ser vista no vídeo Oslo 5, disponível aqui.

Com quem você mais andou nesse tempo?

Ando todo dia com o Akira (Shiroma), quando nenhum de nós está viajando. Com o Leo Low às vezes, porque ele mora em Santos e ele é mó viado, fica fazendo tipo (risos). Lucas Gramberger, um amigo de santos, Jonathan Vidal, daqui de Cubatão.

Quando eu vou para São Paulo, tem um monte de gente que eu gosto de andar: o Daniel, Cotinz, Klaus, Eric, o Ned… esses cara feio aí!

Só os bonitos

Lógico, tem que colar com os cara dahora, mostrando as meias coloridinhas. Com o Dente também, não pode esquecer do Dente!

E você tá vendo o Street League?

Eu vi hoje…

O que você acha do SL?

Não me empolga em porra nenhuma. Mas acho legal ver como os caras são sangue frios, tá ligado? Chegar, esperar sua vez, falar seu nome, a galera gritar e você ir lá e dar um nollie heel board de back.

Isso é muito absurdo, né?

Orra, demais, tá loco! É tipo um jogo tá ligado? Você vai correndo, taca a manobra, aparece os pontos e você comemora com a torcida.

Parece aquele NBA All Star Weekend, pra mim.

Nossa, exatamente! Mas é assim que eu me sinto: não me acrescenta muito, mas, por exemplo, hoje, que estava cansado, não ia andar de skate, assisti. Mas não é aquela parada de torcer e tal. Eu torço pro Luan, conheço o cara, tá no corre faz muito tempo e ele merece estar onde está. Mas só isso também.

O que acha de campeonato?

Hoje eu não vejo nenhum que valha a pena. Normalmente, é no interior, longe pra caralho, gasta mó grana de passagem, mais comida e a grana da inscrição. Aí você pensa “ah, mas tenho patrocinador para isso”. Beleza, tem. Mas prefiro que meu patrocinador me pague uma viagem parar gravar umas imagens, vale muito mais a pena.

Mas mesmo assim, evento é legal participar, porque vai ter sempre alguém olhando por você, e no futuro vai comprar seu material, se seu nome estiver em algum produto pois essa pessoa já vai ter tido um contato com você. Isso também é válido.

E hoje tem um monte de cara bom né. Você se bota uma responsabilidade maior por estar no meio desses caras ou só anda de skate e já era?

Ah,  sempre tem uma cobrança de você mesmo, né? Muitas vezes eu chego no solo, erro um flip… fico tentando 10 vezes um flip e penso, “caralho, como tenho patrocínio? Não sei nem dar um flip”. Mas é coisa de momento, tem horas que você acerta tudo, outras horas erra fifty, sabe?

Eu sempre me cobro. Mas, se tem cobrança por eu estar com os caras? Não, acho que não. Não me importo muito, cada um tem seu valor. Se você for leal ao seu gênero, ao seu skate, vai ter gente que vai gostar do jeito que você anda de skate, assim como vai ter gente que vai odiar, mas, principalmente, vai ter gente que respeitar, porque você está sendo leal ao seu jeito.

Pra você que é de Cubatão, quais as maiores dificuldade no corre do skate?

Então, não tem dificuldade não. Aqui, na real, é bem mais fácil andar de skate. São Paulo é muito corre, tudo é muito caro. Parece que lá não tenho dinheiro nunca, mesmo andando de skate todos os dias em lugares diferentes.

Aqui, vou até outro bairro, outra cidade, volto para minha casa para comer e consigo ir andar de skate de novo. Vale a pena. Fora que é muito próximo de São Paulo, a passagem é tipo 15 reais, tá ligado?

Para mim, é bom morar aqui. Só que tem que, realmente, ir para São Paulo, andar lá. Os caras tem que ver que você está andando, que não está metendo o louco, indo pra balada todo dia. Tem umas coisinhas do skate que você tem que respeitar, é bizarro até…

 Last words:

Lançar um agradecimento tipo o heath kirchart no alien, NOBODY! Hahahahhahahaha to zuando. Agradecer os amigos de verdade, patrocinadores (emerica, crail trucks, evolution skateboards e depart caps) principalmente a família por aturar minha vida maluca de skatista amador.

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