Não vale a pena ficar chateado

17/07/2014

A Jenkem Magazine postou, esse ano, um texto que questionava se os skatistas iriam fazer trocas de times igual atletas fazem em outros esportes. A resposta pra essa questão é: sim, isso acontece e, ouso dizer, que sempre aconteceu. A gente tem uma puta mania de romantizar o skate mas acaba se esquecendo que é tudo um puta business e que os skatistas tem que pagar contas. Fui até bonzinho, porque skatista não paga só conta, skatista gosta mesmo é de ostentar. Todo mundo gosta e o malandro do skatista não ia ser diferente.  Então não adianta chorar por nenhuma mudança que acontece na indústria do skate porque tudo é dinheiro.

Vamos analisar alguns dos casos mais recentes do skate norte-americano (que é a indústria que é mais forte e a que causa mais impacto em todas as outras):

– Muitos caras saíram de marcas de shape. Brian Anderson, Alex Olson, Chris Cole, Paul Rodriguez etc. Esses saíram para fazerem suas próprias companhias. O que isso significa? Dinheiro. Skate está vendável, bem mais hoje do que há 20 anos, então está todo mundo olhando para o mercado de uma forma mais interessante. Abrir uma companhia própria hoje é o caminho que muitos skatistas estão fazendo. O que, por mais que isso signifique business, não é ruim, porque são marcas pensadas e comandadas por skatistas, que, na teoria, vão trazer melhorias pro mundo do skate e deixar nosso mundo nas nossas mãos. Com essas trocas, nasceram a 3D Skateboards (do Brian Anderson, que tem o ex-Habitat Austyn Gillette no time, além da recente adição do Tom Karangelov); Primitive Skateboards, que tem o mega-hiper-businessman Paul Rodriguez no comando (saído da Plan B) e alguns bons amadores no time; Bianca Chadon, que, por mais que tenha esse nome de travesti do Ronaldo, é uma marca de shapes do Alex Olson; Fucking Awesome, que é a marca de Jason Dill e do Anthony Van Engelen, de shapes, que está trabalhando forte no mercado, passando amadores para pro (como o Kevin Terpening) e fazendo crescer uma legião de fãs modernos.

– Algumas marcas de tradição faliram, ou estão para falir. A Alien Workshop deu adeus porque os donos da marca preferiram investir seu dinheiro em coisas que estariam dando mais dinheiro, tipo a Street League. Adorável, né? Não, mas, mais uma vez, o dinheiro foi o dono de tudo; A Habitat também quase se despediu, mas conseguiu se manter por trocar de distribuidora, foi para a Tum Yeto. Já a Habitat Footwear não conseguiu pegar o trem para debaixo das asas de Ed Templeton e fechou as portas; A Zero Skateboards hoje se vê mal das pernas, já que a Black Box Dist deu um tchau no game e a marca de shapes de Jamie Thomas foi para a Dwindle, a mesma de Almost, Enjoi, Blind etc. Ah, a grande ajuda para a marca se foder foi a saída de Chris Cole da marca e da sociedade que ele tinha com Jamie Thomas sobre os direitos da Zero. Para onde será que o Cobra vai agora? O Tom Karangelov era da Zero e foi para a 3D nessa transição toda.

– O que mais impressiona é a transição de marcas que Trevor Colden viveu. Nessa entrevista para a Jenkem, Jamie Thomas disse que, quando Trevor era da Mystery, eles passaram o menino para pro e fizeram um contrato de um certo período de tempo. Antes desse contrato acabar, Trevor quis rescindi-lo e ir para a SkateMental, sem motivos aparentes. O Chief ficou puto e fez o garoto pagar 15 mil dólares, diretamente saídos de seus bolsos, para que pudesse sair da Mystery. Parece futebol essa notícia? Mas não é, é o nosso bom e velho skateboarding.

Se acostume. Skate não é romance.

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