Botando cercas no nosso espaço

26/08/2014

Nos últimos dias, circulou uma foto do projeto da possível reforma da praça Roosevelt, que traria novos obstáculos ao espaço já conhecido como área somente de skate, na parte de baixo da praça. Na foto, os obstáculos já existentes na praça ganhariam cantoneiras de metal, corrimãos redondos e rampas de wallride. Isso é algo que vem sendo falado há mais de um ano, quando os skatistas começaram a frequentar a praça diariamente, lotando-a e andando em todos os locais.

A ideia inicial, porém, era de que, se essa skateplaza ficasse realmente pronta, os skatistas poderiam somente andar nela e em mais nenhum outro local da praça. As bordas “infinitas” da parte de cima, o solo, as outras paredes e bordas não poderiam mais ser utilizados pelos skatistas, uma vez que teriam um “espaço próprio”, reservado lá em baixo.

Sinceramente, eu não gostaria de ter um espaço reservado, uma arena para os skatistas, um local onde 30, 40, 50 moleques se degladiariam para andar uma vez ou outra na borda ou para descer o corrimão. Seria um sentimento de campeonato todos os dias ali naquele pequeno espaço, onde quem for mais ligeiro, vai andar mais.

A mesma coisa acontece no Museu do Ipiranga, na zona sul de São Paulo. Há um projeto de pista para o local que está estagnado há algum tempo (devido a burocracias que nem Dom Pedro II explica) que anunciou uma pista, além de outros epaços de lazer para uma área anexa ao Parque da Independência, mas como esse é um ano de eleição, voltaram a falar na pista do Museu. Esse projeto, além de ser histórico (essa pista vem sendo reinvindicada há décadas), visa tirar o skate do parque e leva-lo para outra área própria para seu uso. Claro que essa visão não é do skatista, mas sim daquele que não entende o skate de rua.

Esses dois projetos de novas pistas e skateplazas são legais até a página dois, porque eles limitam o espaço do skatista de rua, dão legitimidade à políticos e autoridades que querem que o skate não circule pelas ruas da cidade e deixa cada vez mais marginal uma atividade tão presente nas cidades. Sabe como? Quando você for dar uma manobra do mármore ou no bronze de outro local de fora da “pista”, você pode estar burlando “leis”, uma vez que você tem o seu espaço. Aquele espaço que você reinvindicou, que você pediu, também se tornou seu único espaço, sua única saída. E você, skatista de rua, se vê limitado na sua skateplaza, vendo seu skate virar um esporte como outro qualquer, com locais de prática próprios e pessoas de fora do skate que regulam seu uso.

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