A opinião é um suspiro da alma

30/01/2015

Falar de skate é muito dahora. A gente vive disso, faz isso todos os dias. Quem anda de skate fala de skate, é inegável. A gente discute tudo, fala sobre partes novas, manobras, moleques cabreiros ou não, roupa, tênis, decks, trucks… Tudo vira assunto. “Você viu a parte nova daquele mano?” é uma pergunta frequente.

A gente é movido pela opinião. Nessas conversas a gente fala o que pensa sobre as paradas, seja da cor da meia do mano que está aparecendo ou do front board ximbado que ele voltou naquele campeonato. A gente curte ou não curte, normal, ninguém consegue ser imparcial quando o assunto é skate.Então por que as publicações tendem a ser imparciais se o bagulho carrega tanta carga emotiva? Entra aí a questão jornalística da parada e o comprometimento com a imparcialidade. Só que existe também o comprometimento com a verdade e as vezes ele não aparece por conta de egos superinflados ou por conta de anúncios que pagam muito bem. É foda você falar mal (ou apenas verdades) de um campeonato de uma empresa multinacional, afinal, é, em grande parte, por causa deles que a revista está impressa ali pra você ler.

Então você acaba ficando preso a isso, preso a reportar algo que não é sua opinião de fato, mas sim, uma visão comum da história. Saber quem ganhou, quem manobrou bem e quantas mil pessoas estavam vendo aquilo tudo. Grande merda, né? E a parte da molecada brisando ou do “pro-modelo” fumando um baseado do tamanho do meu braço? Isso não vale a pena ser comentado? Ah é, suja a “imagem” do skate.

Isso é outra coisa que me tira a paciência, a “imagemmmmmmm” do skate. Eu cresci curtindo o Fred Gall e hoje querem impor que o skatista tem que ser um modelo a ser seguido. Foda, né? Isso é skate? Sim, isso é, mas não aquele que a gente curte. Mas vamos voltar ao tópico do texto.

A questão não é nem falar mal das coisas, mas sim, mostrar o skate como ele é. Mostrar que não é um esporte, não existem atletas e que o skatista é um mano qualquer, que fala merda pra caralho e tem um puta ego escroto. Aquele velho ditado (e bem zoado) “de skatista para skatista” cabe bem, porque a gente sabe como as coisas são e não gostaria de ler mesmices todos os dias.

O que é legal é ver que tem pessoas que ainda opinam. É um alívio abrir as colunas de opinião do Douglas Prieto e ver algo diferente. Como é dahora abrir o Black Media e ler os textos opinativos dos caras! E como é importante ter textos opinativos dos caras old school, como na Tribo, por exemplo. Você pode não concordar, pode achar que estão falando merda, que estão parados no tempo ou que eles estão se achando demais, mas é muito importante ter esse tipo de publicação. A discussão, seja ela sobre qualquer tema do skate, é importantíssima para que possamos respeitar uns aos outros.

Tem espaço para todo mundo, mas fica muito chato ver alguma coisa imparcial. “fulano marretou” – legal. “fulano é um boçal, mas marretou” – FODA.A opinião gera interesse, debate, humaniza a parada. É um suspiro na alma, é uma licença poética para algo que nem precisava ter isso.

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