Ironias do destino: o fim do impresso nas redes sociais

31/03/2015

Essa semana nem começou direito e já tivemos notícias chatas no mundo do jornalismo “skatístico”: a Sidewalk Magazine, revista do Reino Unido,
anunciou que vai parar de imprimir revistas e focar somente no seu website.
Junto dela, a Kingpin, que é talvez a revista mais importante de toda história
do skate europeu, também anunciou a mesma coisa recentemente.

O fato curioso é que ficamos sabendo desses fatos via redes
sociais! A primeira notícia que tive sobre isso foi no instagram da vans,
lamentando “a morte do impresso”, como eles mesmos colocaram. Depois, no tumblr
e, para finalizar, o jornalista Anthony Pappalardo (o jornalista, não o
skatista) lançou um artigo sobre a Sidewalk no Ride Channel.  Instagram, tumblr, Ride Channel, todas
plataformas digitais que estão servindo de portais de notícia, fazendo o papel
de revistas.

É muito irônico lamentarmos a morte do impresso em
plataformas sociais, mas também é interessante de vermos que, realmente, o que
antes era uma dúvida, hoje se concretiza a cada dia: o impresso está realmente
morrendo. Não posso falar isso em todos tipos de notícia, mas no skate ele está
passando por reformulações que deixam de lado o papel e a tinta.

Como vivemos uma atividade que exige tanto a prova dos
fatos, a internet trouxe a possibilidade de comprovarmos cada manobra dada em
questão de dias, se não horas ou minutos depois que elas foram executadas! A
foto sequencial da revista ganhou ação e hoje temos vídeos para todos os
gostos. De matérias completas a anúncios e campanhas publicitárias, o skate
vem, cada vez mais, sendo registrado em vídeo e disseminado via internet. Não
sei se isso é exatamente bom, mas as revistas estão pensando mais nos likes e
visualizações de seus materiais do que na assinatura de suas edições. Até
porque, quem compra revista hoje em dia? Dos seus amigos de sessão, quantos
ainda vão até a banca para comprar? E desses, quantos leem as matérias e não
somente veem as fotos?

Temos alguns exemplos de como a revista na internet deu
certo e alguns de como não funciona: a Jenkem, por exemplo, é um ponto positivo
dessa transição. Ótimos artigos, alguns até falando mal de companhias e ações
do skate, estão ali naquele site. Por que deu certo? Simples: por não precisarem
rodar com a ajuda de patrocínios, isso fez com que o simples fato de se ter um
domínio na internet já servisse para botar ali seu material e ser visto por
quem quisesse.

Já a Kingpin não deveria ter saído do impresso. A revista
era a mais interessante visualmente, trazendo os anúncios em sessões separadas
das fotos, que eram seu ponto alto. As fotos eram as mais cabreiras das sessões
e, muitas delas poderiam virar pôsteres facilmente! Já seu site, que por um
lado é bem atualizado, tem um player de vídeos ruim e sessões de texto fracas.
O site virou um reprodutor de todo tipo de informação, seja ela da revista ou
de qualquer marca que dê likes para eles.

Aqui no Brasil, a Cemporcento Skate, que é a revista que o
Trocando Manobras tem seu espaço, passou de trimestral para bimestral. É um
alívio saber que ainda tem força para continuar existindo, mas sabemos que tudo
está mudando e que o impresso tem que ter mais do que apoio moral para
continuar existindo.

O que resta às revistas é, realmente, ir para o lado mais Cult
da parada. A revista tem que ter o mesmo ar de um quadrinho, aliás, já está
tendo. Só quem gosta muito do Batman para comprar os quadrinhos dele e
ultimamente só quem gosta muito da revista para comprar um exemplar. Estamos
morrendo com classe?

 

image

(não acabou: ainda dá para acompanhar o TM na Revista Cemporcento Skate!)

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