Mycrocosmos e as calças que todo skatista quer usar

Se você cola em alguns picos de skate de São paulo, principalmente  na Praça Roosevelt, você já deve ter se deparado com alguns moleques usando calças cargo com bolsos etiquetados na lateral. 

Essas calças que você olha e pensa “que maneiras!” são idealizadas e produzidas por alguém tipo a gente, um skatista chamado Rafael Silva, ou Raf pros mais chegados. Ele e a namorada criaram a Mycrocosmos e o Trocando Manobras trocou uma ideia com o Raf para saber tudo sobre a marca. Leia abaixo:

 

TROCANDO MANOBRAS: Salve Raf! tudo bem? Como surgiu a Mycrocosmos e qual sua
motivação de fazer uma marca voltada pro skate?

RAFAEL SILVA: E ai Filipe, tudo ótimo! Mano, a Mycrocosmos
na verdade era o meu Instagram pessoal! Eu já dava uma viajada no micro e no
macro, mas como marca mesmo, surgiu do encontro que eu tive com uma pessoa
muito especial que compartilhei energias. Sempre tive umas marquinhas e uns
projetinhos; aquela ideia do punk do
“faça você mesmo”.

Compartilhei meus sonhos e minhas ideias e
essa pessoa acreditou e me impulsionou a tirar tudo da mente e desde então tudo
criou forma. Eu mostrei as ideias e ela me deu as ferramentas, sabe? Agradeço
muito a ela, Isabella é o nome desse ser!

Fazer uma marca de skate foi natural porque
respiro isso 24 horas por dia! Já nem lembro mais se um dia no passado em que
não fui skatista.

TM: Me fala um pouco do nome, como surgiu e qual o conceito por
trás.

RS: Então, o nome, como expliquei, era o meu
instagram pessoal. Microcosmos somos nós todos o seres que existem e
compartilham de uma mesma consciência, átomos, cérebro, sangue, enfim, tudo o
que tem dentro de nós está no cosmos; uma pequena fração de uma grande
consciência.

O conceito é fazer calças de qualidade com um
tecido resistente preço justo e com um estilo próprio.

TM: Por que começar fazendo calças e não qualquer outro
acessório ou vestimenta? Quais são os outros produtos que você tá fazendo hoje
em dia além das calças?

RS: Na minha visão o skate teve uma transformação
grande um tempo atrás onde “enxugaram” os tênis e a tendência acabou
apertando as calças no skate e nas ruas e isso afetou todo o mercado. Aí eu
colava nas loja tipo de departamento pra comprar umas calça todas chegavam no
joelho e apertavam! Eu comprava o maior número tipo 52 (e eu uso 46), pra tentar
ficar larga, mas mesmo assim não achava naipe. Fora os tecido, né? Eu
tomava uns capote e já rasgava fácil.

Ao mesmo tempo eu já curtia umas calças cargo há
uns anos e sempre tive uma influência grande de umas marcas europeias
underground onde os próprios skatistas faziam tudo, colocavam a mão na massa
mesmo, com elegância, umas paradas muito bonitas de se ver! Aí com isso fiz
uns cursos de modelagem e costura. Sempre me imaginei fazendo minhas calças do
jeito que eu queria, na cor que eu achava naipe. Vi a deficiência no mercado e
visionei essa parada.

Além das calças, fizemos pochetes (ou prefiro
chamar de hipbag) recentemente, toucas e camisetas de manga curta e manga
larga.

TM: Então são vocês mesmos que fazem as peças?

RS: No começo eu e minha namorada fazíamos tudo, sim. Mas agora,
como a demanda está muito grande, estamos trabalhando com algumas pessoas
fechando as peças. Nós fazemos o corte de tudo e pegamos alguém para finalizar
quando tem uma grande quantidade.

TM: Quais as dificuldades de se ter uma marca de skate no
Brasil? O que é treta para um microempreendedor?

RS: Você faz das tripa coração. Tem que ter muita
força de vontade e amor pela parada, tem que vir da alma! É só eu e minha mina
na parada, praticamente, comprando tecido, cortando, costurando, fazendo o
design, o marketing, as vendas, tudo isso com pouca grana… Tem que ter garra,
hein? Ainda bem que tem vários brothers que dão uma força em algumas coisas,
sempre cruzo pessoas com energias parecidas pra ajudar! Mas amor é tudo, mano,
sinceridade é tudo. Quando você cria uma intenção boa e faz tudo com
honestidade, universo te retribui!

TM: Qual o trabalho mais difícil: fazer a marca ser reconhecida
ou vender pra mais gente? Por que?

RS: Olha, acho que nenhum dos dois porque está sendo muito
natural e inesperado. Estamos atingindo um público bem variado com faixas
etárias bem distintas. Nossa maior propaganda está sendo no boca a boca, na
indicação. Um compra, os amigos vêem a pessoa usando e logo se interessam. É
muito dahora que a galera faz questão de me ligar ou mandar mensagem falando
que curtiram muito a calça, isso me dá uma puta satisfação! Isso dinheiro
nenhum compra, ver alguém usando algo seu que você criou do zero, de um pedaço
de tecido sai algo que faz alguém se sentir bem, isso é muito foda mesmo!

Nós não temos apoio de nenhum tipo de mídia e estamos
completamente independentes, fazendo nossa marca baseado na filosofia de vida
que temos e na qualidade que queremos alcançar.

TM: Dá pra viver só de marca de skate no Brasil?

RS: É difícil viver só de skate no Brasil, viu, mano? A minha
sorte é que estou numa fase de não materialismo, vivendo só com o necessário,
manja? Aí fica mais fácil. Mas o começo é sempre muito difícil e tem que manter
o foco sempre para não vacilar e colocar tudo a perder.

TM: Qual o próximo passo da Mycrocosmos?

RS: Estamos com alguns projetos de collab e outros produtos
novos para lançar, sempre tentando diferenciar a parada com uma qualidade legal
e preço justo!

 

Acesse o instagram da marca: @mycrocosmospants

Todas as fotos foram cedidas gentilmente pelo Raf para ilustrar essa matéria.

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