Cotinz e sua experiência Lynchiana

O Doppelganger é o novo vídeo do excêntrico (pra não falar hipster antecipador de tendências) Alexandre Cotinz e, logo de início, antes mesmo da gente começar a dixavar a ideia por trás da parada, é necessário dizer que este vídeo é mais do que um filme de skate: é uma experiência audiovisual que (***alerta de spoiler***) não vai agradar todo mundo.

Vamos começar pelo nome e, por ele, também falemos do conceito por trás: o termo Doppelganger vem do alemão e quer dizer, de maneiro abrupta, fazer o papel de outra pessoa, sair por aí sendo uma cópia, uma duplicata. Esse termo já conversa com a referência principal de ideia do vídeo que é, inegavelmente, a série hiper-conceitual de David Lynch chamada Twin Peaks e é necessário também falarmos dela pra que você entenda um pouco mais dos diversos aspectos fora do skate que transitam no vídeo do Cotinz.

Na série de Lynch, é impossível categorizar um gênero, já que transitava de romance a suspense, com personagens bizarros e, nem sempre, com explicações que todos entendessem o que estava acontecendo ali. Isso já é um bom começo para começarmos a enxergar de forma diferente o Doppelganger. Vale lembrar também que quando o Twin Peaks virou um filme nos anos 90, não foi bem aceito pela crítica, que julgou a parada ser sem pé nem cabeça.

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“Quando você me vir de novo, não vai ser eu” – cena do Twin Peaks

Mas voltando para o vídeo de skate, os personagens bizarros do vídeo do Cot são os próprios skatistas, afinal, começar um vídeo com Felipe Oliveira e fechar com Fernando Denti é um acerto que muitos diriam ser uma loucura em termos skatísticos “de manobra” (se você se assusta ao ler isso que acabei de dizer, é só colar em qualquer pico de skate e ver os comentários dos manobreiros de plantão sobre o “nível” de tricks; como se o skate tivesse um manual). Os sósias, se você ainda não sacou, são os próprios skatistas fazendo duplicata de si mesmos. As repetições de manobras e seus slow motions são a prova de que o próprio bizarro pode se repetir e pode ser um espelho quase real de sua realidade. Ou vai dizer que você também não ficou reparando para ver se era a mesma tentativa ou se era outra footage em cada repetição?

Por fim, a trilha sonora, que é o ponto alto da bizarrice aqui tratada. De Kanye West a versões “chopped and screwed” de Raça Negra, o hipsterismo gracioso impera e torna a experiência auditiva um fator que se destaca no vídeo, uma vez que ou você vai amar de paixão ou vai odiar na mesma intensidade.

Pra falar a verdade, o Doppelganger não precisa de todas essas explicações, mas se você é do time que não curtiu, sugiro rever o vídeo com todos esses conceitos na sua cabeça e tentar enxergar de forma “Lynchiana” como o Cotinz pensou seu vídeo. Aí, no fim, se você ainda não curtir, tudo bem. Mas você não vai poder negar que essa é mais uma obra inteligentíssima do Alexandre Cotinz.

 

Assista ao vídeo clicando no link abaixo:

 

http://liveskateboardmedia.com/fr/article/doppelganger-premiere

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