As capas sem manobras

Muito se fala quando rola uma capa sem manobra. Algumas
pessoas gostam, outras (grande número) detestam achando que tinha que ter uma
trick pesadíssima e digna de capa, mas, para muitos, tanto faz, contanto que a foto
seja bonita. Fato é que uma capa sem manobra é uma capa atípica para a maioria
das publicações de skate.

A gente tem visto acontecerem várias capas ao redor do mundo
de fatos cotidianos ao invés de uma marreta num corrimão. A Thrasher de julho
desse ano, por exemplo, é uma foto lindíssima do Rick Howard tomando água na
cabeça ao tentar andar num pico para o vídeo da Lakai. A foto é muito
expressiva, mas não é nenhuma manobra. É um fato do cotidiano, é uma
curiosidade, mas não é marreta. Mas essa não foi nem de longe a primeira capa
sem manobra da Thrasher: já em fevereiro de 1985, um retrato do Neil Blender
foi colocado como cover da “bíblia”.
Ah, e não precisa ser skatista
também: em 1986, o Danzig foi capa da Thrasher com essa foto aqui.

image

 Capa da Thrasher de julho deste ano com uma foto de Sam Muller

Outra que também acabou de lançar uma capa sem manobra foi a
Monster Children nos EUA que botou o Andrew Allen deitado logo após um capote.
Outra foto muito bonita, outro fato comum, mas o fotógrafo Andrew James Peter
soube passar a emoção daquele momento e eternizaram isso numa capa.

A Vista Skate aqui no Brasil é uma revista que foge quase
sempre desse fator comum de capas e inova a cada edição. É mais comum ter uma
Vista sem manobra na frente do que com. Dentre suas edições mais memoráveis,
temos a tão polêmica capa da edição de número 50, a do beijo gay desenhado pela
Dea Lellis
. A edição 68, por exemplo, tem manobra, mas é uma exceção à regra da
vista, se é que tem regra.

A Cemporcento também é uma que já fez muita capa sem
manobra. Já teve anuário com remada do Luan, edição do desafio de rua com os
retratos dos participantes
, capa com textura de lixa de shape, retrato do Xaparral, e
muitas outras. Mas para o editor-chefe, o Douglas Prieto, o assunto capa é
sempre polêmico: “A CemporcentoSKATE já tem 203 capas, a Tribo, mais de
250, a Thrasher acho que mais de 400… E quando sai algo diferente na capa
(que não seja um manobrão inédito) a maioria das pessoas torce o nariz, e eu
acho isso estranho demais. Em mais de 200 capas, qual o problema de ter 10 ou
15 que sejam diferentes? Manobras são muito importantes, mas skate não só isso.
É uma questão de enxergar um horizonte um pouco maior, uma história um pouco
mais longa do que o que está acontecendo naquela semana.”

image

A primeira edição da Cem não teve manobra: olha o jovem Bob Burnquist estreando a revista! 

Além do fator revista, há também o fator skatista, que
anseia que sua manobra seja capa e que vê uma dificuldade em ser algo diferente
disso. “Poucos caras tem o desprendimento, e até mesmo a coragem, de sair
numa capa sem que seja manobrando. Pensa-se muito como a rua, ou mesmo o
“mercado”, vai reagir”, comenta Douglas. “Se mais gente se
dispussesse, com certeza eu faria mais capas sem manobra”.

Para o skatista profissional Alexandre Cotinz, as capas mais
marcantes para ele são sem manobra: “Aquela capa da remada da Transworld
ou a cara sangrenta do John Cardiel na Thrasher são capas inesquecíveis, todo
mundo lembra”. Ele também comenta se existe uma ansiedade do skatista em
se ter uma capa: “Claro que existe, mas acho que tem que ser muito mais
pica para se ter uma capa sem manobra do que com manobra! Eu não pilho tanto de
ter uma capa, mas se fosse uma sem manobra não ia ser menos orgulhoso do que se
fosse com uma trick minha.”

image

Talvez a capa mais icônica de todos os tempos? 

Fato é que para o skatista também é algo para dar de retorno
para as marcas que o patrocinam e até mesmo um mimo para guardar para
posteridade. A capa conta pontos no mídia incentivo das marcas e é uma massagem
maravilhosa para o ego daquele que aparece por ali. Então é super entendível
que o skatista anseie por esse momento em sua carreira e que se frustre caso
sua manobra não vire capa.

Mas se aparecer uma capa sem manobra na próxima edição da
sua revista favorita, não se assuste: o editor da revista não endoidou nem
faltou manobra pra estar ali. A capa é a principal apresentação da publicação e
merece o que tiver de melhor para aquela edição, seja um retrato, uma manobra,
um fato cotidiano ou até uma arte.

 

Leia as edições da Revista Cemporcento através do aplicativo:
App Store – http://bit.ly/CemporcentoSKATEdigitaliOS
Android – http://bit.ly/CemporcentoSKATEdigitalAndroid

Leia também artigos do Douglas Prieto sobre as capas aqui e aqui

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: