DÁ PRA MISTURAR POLÍTICA E SKATE?

Artigo em parceria com Squadshit

Com as eleições de 2018 chegando, os ânimos da internet estão, cada vez mais, à flor da pele. Quando o assunto é “quem é seu candidato a presidente”, então, o bicho pega. Porém ainda é pouca a participação do skatista no tema; o skatista ou tem desinteresse no assunto, ou prefere optar uma posição contrária à política em geral, não se aprofundando nem tomando partidos.

Mas dá pra misturar política com skate? Dá pra colocar no mundo do skate suas posições políticas? Mas o que é política dentro do skate, afinal?

O skate tem um envolvimento político desde seu início na California, mesmo que não ligado a questões legislativas neste primeiro momento. Com o passar dos anos e a popularização do skate, pessoas fora do movimento começaram a se envolver, seja direta ou indiretamente, com skatistas em suas cidades e consequentemente, cada uma delas teve uma reação, apoiando ou repreendendo.

Até hoje temos essa polarização de opiniões quando o assunto é skate mas quando a repressão parte do estado, a questão política volta ao assunto e dessa vez, diretamente ligado à legislação.

Skate em São Paulo e repressão histórica

Em maio de 1988, Jânio Quadros, o então prefeito da cidade de São Paulo, proibiu a prática do skate em TODA a capital paulista. O motivo pode parecer idiota, mas ele ficou incomodado com o barulho que os skatistas faziam enquanto andavam.

Luciano Kid, entrevistado pela Vice no artigo de Eduardo Ribeiro chamado “Histórias de quando era proibido andar de skate em SP“, disse: “O que aconteceu na época foi simplesmente um ato político. Com toda a influência que o skate tinha na cultura, na moda, música e comportamento, atraiu uma grande massa de jovens sedentos por algo que desse motivação a eles num país tão escasso de recursos e diversão. Isto assustou a classe política da época”

 Essa repressão só acabou com o apoio de outra figura política: Luiza Erundina, em 1990 deu fim à maior proibição do skate da história de São Paulo.

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Foto do Jornal da Tarde de 1990 da matéria “Erundina: a prefeita que ama skate”. (fonte: skate curiosidade)

Depois de Erundina, muita coisa mudou em relação à prática do skate na cidade. As proibições, apesar de não serem mais tão explícitas quanto no mandato de Jânio Quadros, ainda existem até hoje. Em 2012, uma tentativa de proibição do skate na Praça Roosevelt resultou em brigas legais e diversas reuniões e conselhos municipais para que, enfim, legitimasse o uso do skate na praça reformada no centro de São Paulo. Hoje, a prática do skate por lá é liberada, mas reacendeu a discussão da necessidade da representatividade skatística perante à órgãos públicos.

Skatistas e políticos

Hoje em dia o cenário é mais plural e muitos políticos tentam se aliar à skatistas para conseguirem sua base de votos. Exemplos como George Hato e Turco Loko em São Paulo são alguns de políticos que tentaram, nas suas carreiras públicas, se aliar ao skate em algum momento, seja prometendo (e até mesmo realizando) melhorias nos picos das regiões que estavam inseridos ou indo atrás de novos locais de prática perante o poder público. Como exemplo, podemos citar a participação de George Hato na reforma da pista da Saúde, na Zona Sul de São Paulo.

Existe até o caso de uma candidata que está usando skate e skatistas em sua campanha atual. Antes do direito, a advogada Alessandra “Meduza” Jirardi, já era skateboarder, como mostram suas postagens #tbt nas redes sociais. Hoje Meduza utiliza o skate como base de sua campanha

O vídeo acima, feito com Manolo Maninho foi compartilhado nas redes sociais da candidata e do skatista e viralizou.

Mas para saber mais sobre o que pensam esses políticos envolvidos com skate, trocamos uma ideia com Tadeu Ferreira, um dos assessores do vereador George Hato (MDB) para saber sobre a atuação do político e saber se skate e política conseguem conversar se ajudar perante o poder público:

Como que o George Hato chegou no skate?

 Quando ele tinha quinze anos, ele queria ter um skate e começou a andar lá na pista da Saúde. Por isso quando ele foi eleito, uma das primeiras coisas foi reformar aquela pista, porque tinha uma valor pra ele, a mãe dele levava ele pra andar de skate lá quando era novo.

 Ali foi um aprendizado muito grande. Aí quando começou a obra, a gente viu que era mó treta. Quando você não tem experiência, você acredita na boa fé das pessoas. Quando começou a fazer e acompanhar as pistas, eu achei que as empresas teriam esse comprometimento com a qualidade, mas vi na prática que não é bem assim. Eles querem fazer de uma maneira rápida, querem economizar em material, não entendem, acham que a gente está tirando eles…

 O enfoque do George Hato é o skate?

Cada vereador escolhe uma linha de atuação. O George é da área da comunidade oriental, tem um foco no esporte e consequentemente no skate, saúde e o bairro do Ipiranga.

E dá pra misturar política com skate?

 Eu acho que sim porque se o skate quiser ter algum apoio do poder público, é política. Não tem como você olhar para o poder público e não ter políticos ali. Então se, por acaso, alguém quiser pedir algo para a prefeitura, ele pede pra um político. Não tem muito como você desviar, é uma coisa natural e não só no Brasil, é no mundo inteiro.

 Já fui na Califórnia e lá tem um monte de construtora de skate que constrói para o governo e quando o americano quer falar com essas construtoras, ele fala com político. É uma coisa que não tem como fugir, é natural.

E de onde vem esse dinheiro de eventos e construção/manutenção de pistas de skate?

São todos recursos públicos, seja da prefeitura ou do Estado ou do governo federal, que estão aí disponíveis de alguma maneira. Se as pessoas acham que parte desse dinheiro não está sendo aplicado no skate, é porque os governos que tem poder para aplicar esse dinheiro, não colocam o skate como prioridade.

 Por exemplo, eu tive uma discussão recente na Secretaria de Esportes e essa é uma discussão difícil porque as pessoas não tem noção do quanto o skate é importante para a sociedade atual, pelo menos na cidade de São Paulo. Para você ter uma ideia, um campo de futebol sintético custa, normalmente, 1 milhão de reais aos cofres públicos e, se você ver pela cidade, está cheio de campos sintéticos aplicados pela prefeitura. Por exemplo, no bairro em que moro, no Ipiranga, tem pelo menos cinco campos sintéticos, ou seja, a prefeitura gastou já 5 milhões de reais. Agora, quanto ela gastou com skate? Nada.

 Uma pista de skate custar um milhão, os caras acham muito caro, acham um absurdo.

Existe um preconceito do poder público com o skate ainda?

 É um pouco de preconceito e um pouco de falta de conhecimento. De saber que realmente é importante. Tem ainda aquele pensamento que é um esporte de moleque, de criança. Mas agora que virou olímpico, está mudando aos poucos. Por exemplo, nós temos essa questão de que, se o skatista quer ser um atleta olímpico, tem que andar em uma pista que dê para o cara treinar. Em São Paulo tem duas, a do Jockey e a da Vans. Se você pegar os valores aplicados nessas pistas, vai ver que é pouco. Na pista da Chácara do Jockey, foi aplicado um milhão e meio de reais e na da Vans, provavelmente, uns 2 milhões (não sei exatamente porque não vi o valor final, estou chutando com base nos meus conhecimentos). Isso é o valor de 3 gramados sintéticos… Quantos gramados sintéticos tem na cidade? Então a prefeitura gastou muitos milhões em gramado sintético e poucos milhões com skate. O poder público não está vendo o skate como prioridade.

 

Mas apesar da fala de Tadeu, existe no poder público quem olhe para o skate como ferramenta de transformação social e espacial. Na gestão de Fernando Haddad (PT) como prefeito de São Paulo, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano publicou uma “Cartilha de Espaços Skatáveis na cidade de São Paulo”, elaborada em 2014 pela equipe da SMDU, que conta com a presença do arquiteto e skatista Rafael Murolo (como visto na matéria para o blog Skataholic).

Logo na introdução da Cartilha, é possível notar que existe um interesse do poder público de agregar as práticas físicas urbanas dentro da cidade: “O presente documento tem como objetivo apresentar orientações para a adequação de espaços públicos abertos à prática de esportes urbanos”.

Para Murolo em entrevista a Sidney Arakaki: “Há uma visão no campo da arquitetura, urbanismo e paisagismo – um preconceito, a meu ver – de que o skatista é um inimigo da “boa praça”, sob o argumento de que ele toma para si o espaço e impede os outros usos. O motivo desse trabalho é se contrapor a essa ideia, mostrar que a coisa não é bem assim, que pode haver uma convivência harmoniosa entre diversos usos simultâneos. O projeto, o desenho do lugar, pode colaborar muito com isso. Foi neste sentido que a pesquisa foi desenvolvida”.

Por parte dos skatistas, um cara que recentemente se manifestou politicamente, dessa vez através da arte, foi o profissional Klaus Bohms. Desde que saiu da Element, há pouco mais de um ano, Klaus faz um trabalho de colagem em seus shapes, e duas de suas artes se relacionam com o contexto político e histórico do país. A primeira, feita no dia 15 de março foi uma homenagem à Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro, eleita pelo PSOL em 2016 e que foi assassinada a tiros no dia 14 de março de 2018. O motorista de Marielle, Anderson Gomes, também morreu.

Klaus-Marielle
(Foto retirada do instagram de Klaus Bohms)

Na legenda da foto do shape, postada em seu instagram, Klaus diz que é “impossível assistir calado”, dada toda a mobilização que o assassinato da vereadora trouxe. Marielle era conhecida por sua militância pelos direitos humanos, das mulheres, população LGBT, negros e moradores de favelas cariocas. Ainda em fase de investigação, não foram identificados os responsáveis pelo assassinato.

Quase dois meses depois, no dia 8 de maio de 2018, Klaus novamente se manifesta politicamente através de suas colagens, dessa vez em relação à outra tragédia. No dia 1º de maio o edifício Wilton Paes de Almeida, localizado no Largo do Paissandu, centro de São Paulo, desabou após um incêndio. O prédio servia de moradia para mais de 450 famílias sem-teto que ocupavam o local, organizados através do LMD (Movimento Luta por Moradia Decente). 7 pessoas morreram e centenas ficaram desabrigadas.

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(foto retirada do instagram de Klaus Bohms)

O shape feito pelo Klaus foi leiloado e todo valor revertido para as famílias que, após o incêndio, montaram acampamento no Largo Paisandu, enquanto aguardavam alguma medida da prefeitura.

Há também o caso de Sandro Testinha e da Leila Vieira dos Santos com seu projeto ONG Social Skate que, desde 2011, faz um trabalho de inclusão social através do skate. “A Associação Social Skate tem como proposta, a realização de atos que visem a inclusão social, educacional e cultural de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, através de atividades esportivas, culturais e de lazer”. 

 

Eleições de 2018

No dia 20 de setembro de 2018, aparece uma notificação de um novo grupo secreto no facebook com o nome de “Skatistas Contra Bolsonaro”, de Rafael Jacinto e Tiago Moraes. Nele, nomes influentes do skate brasileiro como Parteum, Alexandre Cotinz, Alê Veloso e grande parte da mídia do skate. A descrição do grupo é longa:

SKATE É LIBERDADE POR ESSÊNCIA

Liberdade de ir e vir, de explorar picos pela cidade, de sentir o vento batendo no rosto. De se expressar livremente em cima do skate, cada um com seu estilo, com as suas manobras.

SKATE NÃO DISCRIMINA

Não importa se você é branco, preto, oriental, ruivo, homem, mulher, gay, trans, gordo, magro, rico, pobre, católico, cristão, budista ou ateu. Skate é e tem que ser democrático.

SKATE É UM ATO TRANSGRESSOR POR ESSÊNCIA

É interagir e superar obstáculos pela cidade, sejam eles públicos ou privados. Por isso, não gostamos de repressão, de seguranças ignorantes e agressivos e de policiais truculentos. Não podemos ser a favor de nada ou ninguém que ataque ou oprima a nossa liberdade.

SKATE É UM ATO POLÍTICO

Sim, não adianta você falar que não se deve misturar skate com política. Querendo ou não, a política faz parte da nossa vida. E andar de skate nas ruas por si só, já é um ato político e de transgressão.

SKATE É UNIÃO

As mulheres já provaram que unidas são mais fortes. Somos milhões de skatistas no Brasil. Sozinhos, somos um monte de uns. Mas se unirmos forças, podemos sim ter um papel importante na história.

RESUMINDO:

Se você anda de skate, se considera skatista de verdade e apoia os ideias de Bolsonaro, então você precisa urgente rever seus conceitos.

Na década de 80, o então prefeito de São Paulo Jânio Quadros proibiu o skate em São Paulo. Pergunte a qualquer pessoa que viveu essa época como era andar de skate com medo de um PM que tinha ordens para apreender skates e agredir skatistas. Se você pode andar de skate livre hoje, lembre-se que alguém lutou por esse direito.

Não coloque em risco o seu direito, o nosso direito. Ditadura não é brincadeira. Repressão não é brincadeira. Armamento não é brincadeira. Fascismo não é brincadeira. Homofobia não é brincadeira. Racismo não é brincadeira. Tortura não é brincadeira. Escolher presidente não é brincadeira.

Ser contra o Bolsonaro não significa ser a favor do Lula, do PT, do comunismo ou do socialismo.

Significa ter bom senso.

Provavelmente você tem família e/ou amigos tentando te convencer a votar no Bolsonaro pois só ele pode nos impedir de virar uma Venezuela. Assim como provavelmente você já teve família ou amigos te dizendo que você não deveria andar skate. E o que você fez? Aceitou quieto?

Se você não concorda com o segundo turno que as pesquisas estão indicando, faça alguma coisa a respeito. Discuta com seus amigos e tente mobilizar mais pessoas em torno do candidato da sua preferência. O que não podemos aceitar é botar em risco a nossa liberdade em nome de um medo de um candidato que não gostamos.

Este grupo é um movimento apartidário. Queremos deixar claro que não apoiamos o PT ou qualquer outro partido. Apoiamos o seu direito de andar de skate pelas ruas das cidades.

QUALQUER OUTRO VALE, MENOS ELE. ELE NÃO. ELE NUNCA.

#SkatistasContraBolsonaro
#EleNão
#EleNunca

 

Trocamos uma ideia com o criador do grupo, Tiago Morais, sócio fundador da agência de publicidade Dabba e da Urb Tradeshow, para saber melhor:

Fala Tiago, beleza? Você é um dos criadores do grupo Skatistas Contra Bolsonaro no facebook?

Opa! Sou sim, criei hoje a tarde. Preciso que uma galera que tenha mais alcance se engaje pra história crescer.

 Cara, não dá pra entender skatista ou fã de rap reacionário. Acho que assim como no rap, é impossível dissociar política de skate; fora toda a relação com arte e toda subversão que o skate sempre trouxe pra mesa. Acho fundamental que a galera se posicione, doa a quem doer. Não dá pra fingir que nada está acontecendo e reclamar depois.

No grupo tem um monte de gente importante e “influencer” do skate. O grupo tem intuito de propor alguma coisa ou é mais uma troca de ideias?

Cara, o principal intuito é a mobilização pra tentar barrar esse verme e essa onda da direita extremista que já tem crescido mundo afora e que agora tá se manifestando por aqui.

Gostaria que a galera do skate que tem cérebro e enxerga essa ameaça ajude a espalhar essa mensagem e se cada um conseguir conscientizar pelo menos uma pessoa a mudar de opinião e votar em qualquer um menos nele já é alguma coisa.

 Acho foda como a mulherada se mobilizou, é de tirar o chapéu, e pensei, “cara, se somos milhões de skatistas, e se temos vários amigos influentes nesse meio, precisamos nos organizar e ajudar a barrar tudo isso”.

 Até torcida organizada, a gaviões da fiel se posicionou. seria muita bundamolice da nossa parte ficar quieto.

Mas por que criar um grupo fechado em primeiro momento?

 Cara, é uma boa pergunta. A ideia é criar uma massa critica mínima e depois abrir… Só tenho medo da invasão de bolsominions que inviabilize o diálogo. Acho que o mais importante é a galera se engajar e espalhar a mensagem na rua, na lixa do skate, nas suas redes sociais. Sei lá, precisamos estourar a bolha… Não adianta eu, não adianta você ficar falando pra quem já compartilha do mesmo pensamento.

O skate tem lado? É mais de esquerda ou de direita?

Você está falando de goofy e regular? Acho que hoje em dia cresce o mongo (risos). Mas brincadeiras a parte, não sei te responder, precisaria colocar essa pergunta na próxima pesquisa da CBSk.

 Mas a sensação é que a extrema direita tem crescido no nosso meio, mas acho que, em geral, é uma molecada pouco politizada, sem embasamento, assim como a maioria dos eleitores do Bolsonaro. Essa galera acha que a gente pensa que a solução é votar no Lula ou no PT como se não houvesse nenhuma solução melhor no meio disso tudo. Acham que a culpa é toda do PT.

 Falta muita consciência política, olhar pro social. Na real é bem triste tudo isso porque falta educação, que é a base que falta pra essa molecada. Querem dar switch hard mas nem aprenderam a dar ollie direito.

E as redes sociais ajudam a espalhar o ódio… 

 Redes antissociais. Todo mundo vira um valente atrás do teclado. Igual ontem, anunciamos o fim da Urb 2018, puta decisão difícil, uma merda enorme, perdemos dinheiro etc. E vem um cara no post mandando tomar no cu, falando que é palhaçada etc. Cara, eu e o Vital investimos nessa parada 5 anos, só perdemos dinheiro até então, pra tentar construir algo legal pro mercado daí vem um moleque mimado e mal educado que não tem a mínima noção de nada e te manda tomar no cu.

O cancelamento da Urb tem algo a ver com a criação desse grupo contra o Bolsonaro?

 Nenhuma. Essa foi uma iniciativa pessoal, o Felipe e a Urb não tem nada a ver com isso.

 

Mas há também quem apoie o candidato do PSL. O dono da Fire Skateboards, Sidnei Bauer é um exemplo disso: além de fotos com Jair Bolsonaro em suas redes sociais (sendo uma delas a de seu perfil no facebook), Sidnei lançou um shape do candidato:

WhatsApp Image 2018-09-03 at 18.52.29

Mas apesar da mensagem na descrição do post, foi o autor quem apagou a foto. A redação do TM tentou contatar o Sidnei pra participar da matéria e falar mais sobre seu apoio a Bolsonaro e sobre esse shape acima mas recebeu como resposta o seguinte salmo da bíblia:

 João 6.35. 35 E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome; e quem crê em mim nunca terá sede.

 Apesar do candidato do PSL não ser o favorito da maioria dos skatistas e de ser difícil encontrar quem esteja disposto a falar sobre apoiar o Bolsonaro no mundo do skate, há indícios de que família Bolsonaro já demonstrou certa afinidade com skate. Em um post no twitter em abril de 2018, Eduardo Bolsonaro, candidato à deputado federal pelo PSL no Rio de Janiero, falou o seguinte:

eduardobozo_skate

O que culminou em alguns misticismos acerca do skate por parte de seu eleitorado nos comentários:

fans_bozo

 

Mas apesar da postagem nostálgica do filho de Jair Bolsonaro, em seu plano de governo o candidato à presidência não cita a palavra “esporte” nenhuma vez, “skate” muito menos. Leia a seguir um texto publicado pelo doutor em antropologia pela USP, Giancarlo Machado sobre os planos de governo de cada candidato à presidência e seus enfoques (ou não) em esporte e lazer:

Ciro Gomes (PDT)

– A palavra “esporte” aparece 3 vezes.

“Em relação ao acesso ao esporte e lazer:
• Desenvolvimento de programas de incentivo ao esporte, como iniciativas regionais e o Bolsa Atleta;
• Implementação e qualificação do esporte nas escolas como ferramenta de entretenimento e amparo dos jovens estudantes;
• Promoção facilitada do acesso à cidade e espaços de lazer para que os jovens possam viver a cidade em sua plenitude”.

Leia o plano na íntegra:
http://divulgacandcontas.tse.jus.br/…/proposta_153393891383…

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Geraldo Alckmin (PSDB)

As palavras “esporte” e “cidade” não aparecem no plano de governo de Geraldo Alckmin. “Lazer” tampouco.

Leia o plano na íntegra:
http://divulgacandcontas.tse.jus.br/…/proposta_153384960788…

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Guilherme Boulos (PSOL)

A palavra “esporte” aparece 56 vezes. No plano de governo consta uma parte destinada às políticas públicas para o universo esportivo. Retirei uma parte que nos permite pensar o skate:

“Para democratizar o acesso ao esporte e às práticas corporais devemos considerar os espaços públicos, campos, ginásios e quadras como lugares para todos e todas se apropriarem. Também devemos recuperar a gestão pública eficiente de seus equipamentos e garantir o seu uso efetivo pelos cidadãos. Também reposicionando as políticas públicas para a inclusão de setores populares preteridos, tanto socialmente quanto pela hegemonia sexista dos corpos atléticos e pelos esportes de alto rendimento, altamente lucrativos para a iniciativa privada”.

E também algumas propostas:

– “Apoiar e fomentar projetos e programas de práticas corporais e de lazer que não se restrinjam ao esporte de alto rendimento”.

– “Fomentar a constituição de Conselhos Comunitários para gestão dos equipamentos públicos de esporte e lazer construídos, revitalizados e qualificados nas cidades, incluindo programação com oficinas e práticas espontâneas de esporte e lazer gratuitas para a comunidade”.

Importante: no plano de governo de Boulos consta a palavra “skate”. Vejam:

– “Investimento na criação de espaços de cultura e lazer aos jovens, como bibliotecas, praças, pistas de skate, teatro e ginásios esportivos, sobretudo nas periferias. Esses espaços devem ser de convivência e descanso, com infraestrutura mínima de bebedouros, banheiros, iluminação, wi-fi etc.”.

Leia o plano na íntegra:
http://divulgacandcontas.tse.jus.br/…/proposta_153356546242…

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Jair Bolsonaro (PSL)

As palavras “esporte” e “lazer” não aparecem no plano de governo de Jair Bolosonaro. A palavra “cidade” aparece uma vez, mas sem propostas específicas.

Leia o plano na íntegra:
https://static.cdn.pleno.news/…/Jair-Bolsonaro-proposta_PSC…

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João Amoedo (NOVO)

A palavra “esporte” aparece apenas uma vez. A única proposta é:

“Novas formas de financiamento de cultura, do esporte e da ciência com fundos patrimoniais de doações”.

Leia o plano na íntegra:
http://divulgacandcontas.tse.jus.br/…/proposta_153452208078…

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Fernando Haddad (PT)

A palavra “esporte” aparece 27 vezes. No plano de governo consta uma parte destinada às políticas públicas para o universo esportivo.

Há uma proposta que beneficiará o universo do skate. Eis abaixo:

“O governo Haddad investirá em todas as práticas esportivas, tais como vôlei, basquete, natação e esportes radicais, tanto no esporte amador quanto no de alto rendimento”.

O skate poderá ser contemplado no âmbito dos “esportes radicais”.

O plano de Haddad também tem propostas visando o direito à cidade, a ocupação e democratização dos espaços urbanos, que beneficiará os skatistas de rua. Segue abaixo:

“A transição ecológica tem como horizonte o Direito à Cidade, entendido não apenas como o combate às desigualdades, com a provisão de moradia digna, segurança jurídica na posse da terra e condições básicas de infraestrutura urbana, que fazem parte da agenda da reforma urbana, como também a democratização dos espaços urbanos, a prioridade do viário para o transporte coletivo e mobilidade ativa e a perspectiva de tornar as cidades mais limpas e saudáveis”.

Leia o plano na íntegra:
http://divulgacandcontas.tse.jus.br/…/proposta_153670214335…

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CONCLUSÃO:

– Os planos de governo de Geraldo Alckmin, Jair Bolsonaro e João Amoedo não apresentam nada de significativo que poderá contemplar o universo do skate (em seu nível esportivo, citadino, artístico e cultural).

– Os planos de Ciro Gomes e Fernando Haddad apresentam algumas propostas que poderão incentivar, através de políticas públicas, a inserção do skate em espaços urbanos. Além disso a frente esportivizada do skate (skate olímpico, skate “radical”) também poderá ter alguns investimentos.

– O plano de Guilherme Boulos é o mais específico, tendo em vista que a palavra “skate” aparece no documento. São prometidas pistas de skate, além do fomento a práticas esportivas que não sejam de alto rendimento, e também o estímulo à utilização de espaços públicos para realização de toda sorte de práticas de lazer (como o skate).

É óbvio que a nossa vida não se resume ao universo do skate. No entanto, é sempre importante buscar as propostas que se aproximam dos anseios dos skatistas.

 

 Apesar do viés anárquico do skate (principalmente o de rua), nota-se que muitas vezes é preciso colocar política dentro do cotidiano dxs skatistas. É perceptível também o crescimento do posicionamento social ao redor do mundo como com assuntos de minorias e discussões sobre a pluralidade de skatistas e seus espaços dentro de cada sociedade. Exemplos como o coletivo de Oakland chamado Unity que abre os braços para pessoas LGBTQ dentro do skate ou as brasileiras da Britneys Crew, que usam o skate como ferramenta empoderadora, são provas de que, cada vez mais, assuntos sociais estão presentes em nosso mundo.

Até mesmo o fato do skate ter se tornado um esporte olímpico nos faz pensar na política envolvida nisso e nos faz crer que não dá pra fugir de burocracias e de conversas com “forças maiores” quando queremos fazer mais pelo skate. Então parece ser natural o caminho dx skatista que quer se politizar, conhecer melhor seu candidato e escolher quem mais conversa com suas crenças e quem vai fazer elx andar mais de skate e quem vai atrapalhar o rolê.

 

 

 

Bibliografia utilizada neste artigo:

Rafael Murolo para Skataholic: http://www.skataholic.com.br/2018/09/cartilha-de-espacos-skataveis-na-cidade-de-sao-paulo/

 

“Histórias de quando era proibido andar de skate em SP”, de Eduardo Ribeiro para Vice Brasil https://www.vice.com/pt_br/article/gymmkw/proibido-andar-de-skate-em-sp

 

“Skate e ex prefeita Erundina!”, de Skate Curiosidade http://www.skatecuriosidade.com/curiosidade-skatisticas/skate-e-a-prefeita-erundina

6 Comments

  1. Cara, eu acredito que dá sim pra misturar skate com política. O criador da Virada Esportiva em São Paulo, Thiago Lobo, é candidato a deputado estadual em São Paulo e é skatista. O cara promove muito o esporte. Eu vou votar nele. O número dele é o 45845.

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