Do papel para a sua parede – Papercraft com Bruno Caue

Skatistas tem o dom de fazerem de tudo e, hoje em dia, o instagram é a ferramenta que mais nos afirma isso. Todo dia que usamos o app, encontramos algum skatista que faz algo bacana e com o Bruno não foi diferente. O instagram @brcaue foi encanto à primeira vista: as esculturas dele de papercraft são de encher os olhos e o toque skatístico dão o tom de que ali tem uma veia artístistica do mundo do skate que merece ser conhecida. 

Então foi exatamente isso que fizemos, trocamos uma ideia com ele! 

E aí, Bruno! Fala um pouco sobre você e sobre seu trampo.

Meu nome é Bruno Caue, sou sou da cidade da cidade de Guarulhos. Na real não sou nascido aqui, sou da zona norte de São Paulo, mas eu vivo aqui há um tempão. Conheci o skate aqui, meus amigos são todos daqui.

Meu trampo atual foi um negócio meio que começou do nada assim. Eu trampava de eletricista e no aeroporto de noite não tinha muita coisa para fazer, então eu fazia uns origamis. Aí foi nessa que eu conheci o papercraft. 

Depois disso, uns amigos começaram a pedir pra eu fazer, mas eu ainda não botava muita fé. Foi nessas que fui para Portugal passar 8 dias, que se transformaram em 6 meses. Sabe como é, né? Mármore pra todo lado, cerveja barata, sol até 9 e meia da noite…

Isso foi que ano?

Isso foi 2016, no começo do verão de lá. Aí conheci oThaynan (Costa) e toda galera de lá. Aí tive a ideia de fazer algo para a enjoi, já que o Louie Barletta é uma inspiração pra mim e o como o Thaynan tem a ligação com ele… Na época, eu estava fazendo um monte de pandas e tentei enviar um pro Louie. No fim deu certo, o Thaynan levou pra ele e ele curtiu pra caramba, fez um vídeo agradecendo, um post… Achei bem louco! 

E quando eu voltei pro Brasil, decidi que não ia mais voltar pra empresa, que ia viver do papercraft, já que a galera estava botando fé. Aí pensei “tenho que começar a botar fé também!” e estou nisso até hoje. 

Louie Barletta e o Panda do Bruno

Então hoje você trampa só com o papercraft?

Faço algumas outras coisas, alguns bicos de eletricista ainda principalmente para amigos e conhecidos, mas minha fonte de renda principal é o papercraft. 

Qual foi o primeiro papercraft que você fez?

Foi um elefante todo falhado. Deu muito trampo porque era uma figura muito trabalhosa, era um nível meio difícil e eu não sabia que cola usar, qual gramatura do papel… Usei papel sulfite 90g, que hoje sei que é frágil demais, por exemplo. 

Foi tão treta que pensei até em desistir. 

Mas serviu de experiência, né?

Sim, com certeza. Depois disso fui testando outros papéis e materiais. Hoje faço com um papel com gramatura boa mas branco. Então faço a pintura com spray depois e dou uma envernizada porque acho que dá uma resistência melhor.

Fala um pouco desse processo.

Então, eu entendo zero desses bagulho de photoshop, vou tirando água de pedra nesse sentido. Eu uso o programa blendr… Tem alguns modelos que pego o 3D na internet e vou jogando nesses programas para poder planificar. 

O começo do processo é com fotos pra ver o que quero criar e como vou fazer isso. Aí jogo no blendr, que é tipo um 3D Max, um programa de 3D. O bom é que ele é free, então você consegue criar de boas. Eu faço a criação por lá, depois jogo em outro programa pra planificar, ou seja, pegar o 3D, desmontar e jogar na folha A4. É um programa próprio para esse tipo de papercraft.

Depois vem o processo manual, que é imprimir, cortar, dobrar, pintar, colar etc. 

Quanto que o Google te ajudou nessa experiência? 

Em tudo! Me ajuda até hoje em tudo. Se o Youtube acabar eu não sei o que fazer! 

Muito louco isso, né? Esses dias me peguei pensando nisso porque a máquina de lavar daqui de casa deu um problema. Aí entrei no Youtube e descobri como que limpava a peça que o cara tava querendo me cobrar 400 reais. Economizei!

No meu trampo, todo processo foi com base de pesquisa no Google. Ele tá salvando! 

Qual foi o primeiro papercraft que você vendeu? 

Foi um elefante! Foi para um amigo que ficou me pedindo bastante. Eu ia até dar pra ele, mas ele quis que eu cobrasse, então essa foi a primeira venda. 

Nem sabia como cobrar direito, mas foi esse o início. Depois disso, outros amigos pediram, até rolou trampo para umas empresas… 

O seu público que consome é mais de fora do skate então? 

Sim, mais de fora. Quando vem algum skatista trocar ideia comigo no instagram, que eu vejo que é do skate mesmo, eu já dou até uma atenção a mais, tento conversar do preço, às vezes trocar com a pessoa por algo legal… 

Tudo na minha vida é o skate. Viagens, música, trabalho, a visão de mundo, sabe? E então eu quero tentar retribuir de alguma forma.

Quando eu estava em Portugal, o (Guilhermo) Guillis pediu para eu fazer uma VX. Eu fiquei enrolando, mas agora eu estou finalmente fazendo. Acho que é uma boa hora para botar isso em prática, já que a VX é um ícone do nosso mundo.

Doom!

Falando em skate, como você o conheceu? 

Foi na casa da minha tia no Tremembé, em São Paulo. Tinha uns moleques que andavam e aí eu comprei um deles. Aí quando voltei pra Guarulhos, trouxe o skate comigo e tinha um amigo da escola que pilhou de andar de skate comigo todos os dias. A gente tinha até uma crew que chamava Família Zilda, que era a escola de Guarulhos. Era só eu e ele mas já tínhamos a crew! A gente fazia uns obstáculos que duravam um dia, mas no dia seguinte a gente ia lá e montava de novo. 

Eu tinha 15 anos na época, só pensava em skate o dia inteiro. Bons tempos! 

Lil’ Bruno

Voltando ao papercraft, tem algum que ainda te desafia, que é muito difícil?

Vários. Tem alguns amigos que me pedem o Karl Marx e acho difícil de fazer. A barba é meio complicada, as expressões faciais… Tenho muita vontade de fazer, mas é difícil ainda! 

E tem trampos grandes, que eu queria muito fazer, mas não quero fazer algo enorme pra deixar em casa parado, sabe? Quero poder ter algum lugar que fique bacana um trampo grande! 

E para a galera conhecer melhor, onde podem te encontrar?

Por enquanto no instagram @brcaue. Lá tem meu whatsapp e a gente pode conversar, fazer orçamentos etc. 

Entra lá no instagram.com/brcaue e confira os trampos do Bruno!

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