Setembro Amarelo: Como o skate e a saúde mental se relacionam

Quantas vezes você já ouviu a frase “o skate é terapêutico”? Seja da sua revista favorita, do skatista que mais gosta, das amigas da sessão ou até mesmo da sua própria boca, em algum momento da sua vida, você se deparou com essa frase.

Mas por que é terapêutico?

É muito simples: o skate é o momento em que você foca em você mesmo. Andar de skate te faz evoluir não só nas manobras, mas no jeito que olha as coisas ao seu redor. Até mesmo o jeito que você reinterpreta o mesmo pico várias e várias vezes faz você esquecer os problemas do mundo e focar somente em si naquelas horas que está andando de skate.

Fazer uma sessão de terapia é exatamente assim.

Você foca em você, analisa as suas atitudes e repensa seus modos de agir, pensar, falar… Tudo isso com o auxílio de um profissional que estudou para poder te ajudar nesse caminho de evolução psicológica.

Falar que o skate é o terapeuta talvez seria injusto com esses profissionais. Mas as comparações podem ser dadas no momento em que é com o skate que você vai aprender a olhar melhor para si mesmo. A cada tombo, você fica ligeiro na próxima para não fazer de novo. E a cada cacetada na conversa do terapeuta, você também fica ligeiro para não repetir sua atitude.

Mas não é só porque andamos de skate que podemos deixar de nos cuidar psicologicamente. Afinal, se skate é só um pretexto, ele é só uma das várias faces que temos como seres humanos.

Pensar nisso não é tirar a importância do skate do nosso ser, mas sim, entender que cuidar da nossa saúde mental é mais do que só ir andar de skate.

Skate É Só Um Pretexto e cuidar da nossa saúde também!

Mas por que a gente não fala sobre saúde mental no skate?

O skate (principalmente o de rua) tem um lifestyle calcado no estilo “durão” de ser. Desde os Z-Boys, a parada era ser o melhor (isso em vários âmbitos, não só no melhor skatista), o mais cabreiro, o mais sinistro, o mais rua etc.

E isso tudo foi ganhando corpo com o passar dos anos, criando rivais nos anos 80 (Os Thrasher eram os bad boys enquanto os Transworld eram os bonzinhos) sempre apoiados nas fobias que tanto tentamos combater hoje em dia: homofobia, machismo, transfobia etc.

Nos anos 90, com a alta do skate técnico de rua aliado ao estilo hip hop de se vestir, se portar e agir, o skate fica ainda mais misógino, mais machista e mais malaco. Não tinha espaço para sentimentos e qualquer sinal de problema era automaticamente uma fraqueza do “homem skatista”, logo, esse cara não era tão legal assim para andar junto.

E com isso, quem se atrevia a falar sobre sentimentos? Quem chegava na sessão e falava que estava passando por dificuldades? Chorar então… NEM PENSAR! Quem queria andar com o doido?

E esse tipo de pensamento foi se perpetuando ao longo dos anos, até que a internet pareceu dar uma abertura maior para esse tipo de discussão. Mas nem por isso essas fobias e falas de ódio cessaram das sessões diárias. Ainda existe muito preconceito com o cuidado da saúde mental e muita ideia errada acerca do assunto.

Quer ver uma coisa? Olha só esses exemplos de coisas que a gente ouve por aí no skate sobre procurar ajuda psicológica:

– “Tenho Deus, não preciso disso”. Se isso te conforta, tudo bem. Mas se você tem Deus e não está bem, por que não tentar? Isso não vai diminuir sua fé e não vai te fazer ficar distante Dele.

– “Não preciso, não sou louco”. Mas quem disse que terapia é só para quem é louco? Cara… São tantas coisas que passamos na nossa caminhada que às vezes a gente não dá conta sozinho, não. Podemos estar sãos, mas um profissional pode nos ajudar a manter essa sanidade e melhorar o jeito que enxergamos o mundo. Afinal, se a VIDA É LOKA, por que então deixar de lado a terapia?

– “Coisa de playboy”. Esse é um pensamento antigo que não faz mais jus à causa. Existem sim terapias caras, assim como existem profissionais gratuitos. Nesse link https://mapasaudemental.com.br/atendimento-online-para-todos-os-publicos/ enviado pelo psicólogo Victor Carvalho, você tem um monte de atendimentos psicológicos públicos ao redor do País.

– “Coisa de viado”. E esse é o pior de todos. Se você já ouviu um desse ou pior, se você já proferiu uma frase dessas, amigo, você precisa de terapia. Você precisa de terapia para tirar essas fobias todas que você guarda dentro de você e para ser um ser humano melhor. Toda essa mística do skate machista, homofóbico e misógino é maléfica paraa saúde mental de todos os envolvidos. Principalmente para quem diz essas coisas achando que tá tudo bem.

Então por que é tão importante falar sobre saúde mental no skate?

Estamos vendo uma abertura maior de assuntos e temas relacionados ao skate com a Internet. Talvez essa seja a primeira vez que skatistas vêem tanta pluralidade de coisas que podem ser exploradas através do skate e isso tem sido super importante para evoluirmos, não só como skatistas, mas como pessoas.

E em paralelo a isso, vemos também que a saúde mental também é um problema nosso como skatistas, não só quando um Pro que a gente curte muito tira sua própria vida, mas quando nós mesmos não conseguimos encontrar felicidade ou plenitude em nossa caminhada.

Mas por que então não tratamos isso? Se tem algo errado com nosso físico, nós vamos ao ortopedista. Se sentimos dores no peito, corremos no cardiologista. Mas se temos dores psicológicas nós não tratamos?

Tratar da sua saúde mental não é coisa de gente fraca. Muito pelo contrário, é coisa de gente que é forte o suficiente para admitir seus medos, suas fraquezas e sua vontade de mudar.

Procurar um psicólogo, terapeuta ou psicanalista é um passo muito importante para que a pessoa que está se sentindo deslocada de alguma forma, se sinta parte do mundo de novo.

E com essa pluralidade de movimentos relacionados ao skate, surgem também vários projetos comandados por skatistas, assim como é o do nosso parceiro Alberto Tobé, o @psicologia_radical, que aborda temas da saúde mental com uma roupagem do nosso dia a dia.

E, para acabar, na opinião aqui do Trocando Manobras, todo mundo devia fazer terapia. Todo mundo mesmo, sem excessão. O mundo é cruel pra caralho e, independente da sua posição social, a vida vai sambar na sua cara de alguma forma. Então fazer terapia é uma forma de melhorar a si mesmo e poder olhar para o mundo com olhos mais sábios.

Fazer terapia vai te ajudar até na sua sessão e te deixa muito mais legal no skate. Vai por mim.

Didi, Murilo e o catiorrinho concordam que cuidar da saúde mental é importante. Foto: Arge

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