Saiba como foi o primeiro Flanantes Bike Tour

No último domingo, dia 09 de janeiro, rolou o primeiro Flanantes Bike Tour e foi exatamente como o nome propôs. Murilo Romão e crew, e mais uma porrada de gente que não teve medo da chuva, fizeram um pedal por lugares diferentes da região Oeste/Norte de São Paulo, até chegarem no km 9 do Rodoanel Norte, que hoje está abandonado. 

Saindo da Estação Água Branca, Murilo levou a galera por um caminho que ele faz bastante. Com a ajuda de outro Murilo, que sabia mais sobre a região, e do Moiza, para fazer as fotos, o grupo de mais ou menos 15 pessoas foi explorar a cidade de um jeito Flanante, mas dessa vez sem skate.

Segundo o Murilo, esse foi um rolê para conhecer lugares novos. “A gente sempre anda de bike, a maioria da galera que a gente anda junto, curte andar de bicicleta”, comentou o flaneur. “Queremos fazer outras, fazer roteiros diferentes, não só o ciclotour básico, queremos ir em lugares doidos, meio pedal urbano, mesmo.”

Parte da crew já no destino. Foto: Moiza

Esse também foi um pedal de registro, já que o Murilo está com mais um vídeo em mente, o Provos, baseado no livro de mesmo nome de Matteo Guarnaccia, que conta a história do movimento holandês Provo, que na década de 60 fez uma série de reivindicações e protestos de cunhos social, político e ambiental. 

Um dos planos do Provo que se assemelha bastante a esse rolê de bike dos Flanantes foi o “Plano da Bicicleta Branca”, que visava a melhoria dos transportes públicos de Amsterdã. A ideia desse plano era fechar o centro da cidade para transportes motorizados, incentivando o transporte público e não-motorizado, como as bicicletas. Rolou até a ideia de deixar bikes comunitárias de uso livre pela cidade. 

O movimento Provo é mais um que tentou ressignificar o uso do espaço público urbano de várias maneiras e, consequentemente, apareceu nas pesquisas do Murilo Romão e casou com as ideias dos Flanantes. Claro que dessa pesquisa, vem um vídeo e o Murilo disse assim: 

Nosso próximo vídeo é de skate, não é só de bike. As imagens que fizemos nessa primeira tour são pra intro e fechamento, mas o vídeo é de skate, mesmo. Para o próximo vídeo, utilizamos o livro PROVOS , de Matteo Guarnaccia e na capa tem a data de 10-3-66. Não vai ter jeito, vamos soltar no 10/03/22 porque fomos chamados! 

Todas essas paradas que fico pesquisando, uma liga com a outra, porque todos foram movimentos que tentaram dar outro sentido às cidades nas épocas em que os carros estavam começando a bombar. É um movimento que rolou na Holanda, durou pouco, mas que incentivava bastante o uso das bikes.”

O livro pode ser encontrado na editora Baderna

Nesse primeiro Flanantes Bike Tour, o skate não se fez presente porque a chuva era pesada em São Paulo. Mas engana-se quem pensa que o skate ficou de fora. Para o Murilo, a relação com o skate é uma que não dá pra fugir: 

“Essa relação não dá pra fugir, nossa cabeça já está no skate. Se tiver pico, a gente já vai pensar, anotar, se tiver de skate, já vamos andar. Como os lugares são longes, é legal já estar com o skate pra ir filmar, porque provavelmente a gente não volta lá tão cedo, a ideia já é de registrar mesmo. 

Mas levar o skate não é o plano A dessas missões… Nossa ideia é dar um rolê de bike mais longe, conhecer lugares novos, sair um pouco do centro. Várias pessoas que estavam nesse primeiro pedal nunca tinham ido para onde fomos. 

Ontem em especial colou a galera do skate, mas a ideia é colar mais gente. Na real é pra colar todo mundo que quiser colar! A ideia se alastra, um vai mandando pro outro e até a galera da bike veio perguntar como era. 

Com a bike você chega bem mais longe. Eu não consigo usar o skate como meio de transporte para lugares muito longes, no máximo para picos mais perto. A bike você consegue atravessar a cidade!”

A região escolhida, no km 9 do Rodoanel Norte também é uma que causa curiosidade no percurso. Abandonada pelo poder público, hoje é como um “parque minhocão” fora do centro, sendo utilizado por moradores da região como uma grande área de lazer. Para entender um pouco do que rolou, assista à reportagem da Record: 

Mas como a obra não andou, essa reutilização do espaço público vem sendo feita de maneira gradativa, atraindo diversos públicos, como os Flanantes. Nesse primeiro pedal, teve também tempo e espaço para fotos que vão ser usadas pelos Flanantes. Sobre elas, o Moiza, fotógrafo e skatista, nos dá uma perspectiva de que sair do comum faz a gente se desafiar: 

“Estar em um lugar novo é tipo ler um livro novo, sua mente abre, dá uma expansão gigante. Com a fotografia é bem isso, quando você vai para outros lugares, você consegue entender mais e consegue enxergar diferente. A mesmice não é evolução e a gente busca isso, estar sempre se movimentando. 

Foi da hora, o Murilo pensa bem nisso, de sair dos lugares mais frequentados e buscar outros ambientes e é uma coisa bem louca, faz você entender que você é cidadão do mundo. Às vezes caímos na monotonia de estar só em um lugar e expandir a mente é isso, procurar novos cantos. 

Fotografar outros lugares é muito foda, é um desafio. Estar em outro lugar é tentar enxergar algo além do lugar, eu sou assim, pelo menos. Para mim é dahora sair dos lugares que estou acostumado, é sempre bom pensar algo novo.”

Esse foi o primeiro Flanantes Bike Tour e a crew pretende fazer outros. Então já fica de olho nas redes sociais dos caras para saber qual o próximo destino e para no dia 10 de março ver o novo vídeo Provos, com imagens dessa tour e, claro, skate dos Flanantes envolvido!  

Foto: Moiza

  1. muito legal! não pude deixar de lembrar deste trecho que, por sinal, está em uma das muitas produções flanantes: Para o perfeito flâneur, para o observador apaixonado, é um imenso júbilo fixar residência no numeroso, no ondulante, no movimento, no fugidio e no infinito. Estar fora de casa, e contudo sentir-se em casa onde quer que se encontre; ver o mundo, estar no centro do mundo e permanecer oculto ao mundo, eis alguns dos pequenos prazeres desses espíritos independentes, apaixonados, imparciais que a linguagem não pode definir senão toscamente. (Baudelaire, Charles. “O pintor do mundo moderno”, originalmente publicado em Le Figaro, in 1863).

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