Gráficos de shapes com Future Skateboards

Os gráficos dos shapes contam histórias além das manobras. Antigamente, ter um pro model era ter não só o desenho embaixo, mas também o formato do shape que era aquele que você curtia andar.

Com os shapes popsicles, essa parada do formato foi deixando de ser a mais importante para os skatistas e os gráficos foram ganhando mais força ainda. Se antes o desenho era importante, agora fica fundamental ter gráficos que se destaquem nas paredes das skateshops.

Assim como tudo no skate, os gráficos tem suas tendências, seus modismos e seus momentos. Mas, por mais que seja uma plataforma livre para artistas e designers fazerem o que bem quiserem, o gráfico do shape tem várias responsabilidades: carregar a identidade da marca, do time, da pessoa que assina (quando é pro model) e até mesmo da época em que ele está inserido.

Pensando nisso tudo, a gente foi trocar uma ideia com a Future Skateboards, ou melhor, com o Fabinho, um dos caras por trás da marca e o responsável pelos gráficos dos shapes desde o começo. A Future, que em 2010 resolveu ter seu CNPJ e ser uma marca de verdade, é uma das mais conceituadas no mercado brasileiro, tanto pelos seus feitos, quanto pelo seu time, e seus shapes são memoráveis por seus gráficos.

Fala, Fabinho!

Conta pra gente um pouco sobre a Future, quando começou, quem está por trás da marca e qual seu posicionamento hoje.

Fabio Giometti: A Future começou da forma mais clássica e tradicional possível. Um grupo de amigos que queria fazer um video na rua, mas não tinha condições de ficar comprando shape toda a hora para as sessões.

O Marcus Vinicius Kamau, que fazia parte da equipe teve a ideia de começarmos a fazer uns shapes e vender nas lojas, com o lucro conseguíamos material para andar “na faixa”. Muita coisa mudou desde então, até que em 2010 resolvemos realmente virar CNPJ e viver disso. Atualmente na linha de frente estou eu e o Thiago Garcia tocando a empresa.

A Future sempre foi conhecida pelo seu time e pelos seus gráficos diferentes. Quem tem as ideias por trás dos gráficos? Como funciona esse processo criativo?

Eu sempre cuidei da parte criativa da marca, com ajuda de toda a equipe. As ideias dos gráficos sempre nascem da vontade de me comunicar com quem vai usar o shape. O ponto de partida sempre é: como eu posso fazer esse pedaço de madeira ter um significado especial para quem for usar? Nós sabemos que a relação do skatista com o shape sempre é especial por um monte de motivos, o gráfico é parte fundamental desse relacionamento.

Criar gráficos também é olhar para tendências e saber o que tem feito a cabeça dos skatistas no mundo todo. O que você vê como uma tendência hoje em dia nos gráficos de shape?
Acredito que mais do que nunca, a tendência é realmente ser original. É um processo de dentro para fora e não o contrário. Com certeza é o caminho mais difícil, mas também o mais libertador.

Window Series

Alguma vez você teve um pedido especial para um gráfico? Seja de algum skatista ou de algum designer.

Não…nada muito estranho ou exótico 😂. O que mais acontece nesse sentido é receber uns gráficos completamente malucos via Rede Social e Email e o “artista” ainda escreve: Pode usar viu, não vou cobrar nada não. Com a equipe, temos uma relação de bastante confiança, acho que eles gostam de me deixar bem livre para fazer o que quiser e depois dão o OK final.

Qual série ou gráfico você mais curte de toda história da Future? Tem algum que se destaca na sua mente?

Para mim a série Santa Borda foi um divisor de águas na história dos nossos gráficos. A série tinha 4 shapes com seus Santos orando para que as bordas escorregassem, junto com o shape também vinha uma vela de brinde. Até então, fazíamos artes mais conceituais, mais preocupados em construir uma identidade gráfica sofisticada. Ficou claro pra mim que seria um caminho legal para ir evoluindo, com gráficos que buscassem uma identificação maior e mais direta com a forma como vemos o skate e toda sua cultura.

Claro que isso também não é uma regra definitiva, o legal e desafiador desse trabalho é que a cada nova série ou coleção que precisa ser criada, eu realmente sinto que é a primeira vez que estou fazendo isso. É aí que eu me questiono: “Putz mano, e agora o que vai ser?”

A clássica série da Santa Borda

Os gráficos de shape são telas em branco, espaços para criatividade ilimitada. Mas qual tipo de gráfico você NÃO faria nunca? Existe algum tema que você não gostaria de ver num shape da Future?

Eu acho bem zuado pegar carona em temas que estão “na moda” de forma geral na sociedade. Para mim é um caminho meio óbvio e genérico demais, não faz jus a cultura do skate. Acho que temos muita coisa mais interessante para ser dita e criada.

Recentemente o Gui Silva teve uma série com desenhos dele. Como é pra vocês terem desenhos de outros artistas na marca, acham importante esse espaço de colaboração?

É muito legal ter as colaborações e a troca com outros artistas, mas também não é tão simples de fazer. Os “Santos” da Série Santa Borda, por exemplo, foram criados pelo Breno Tamura. Para mim, essas colaborações funcionam bem quando o artista tem total liberdade de fazer o que quiser, o gráfico ou tema não parte necessariamente de um pedido meu ou de uma visão minha.

A série com o Gui foi exatamente isso, por ele ser da equipe e já estar naturalmente identificado conosco, não precisava ter briefing ou qualquer coisa do tipo, foi liberdade total para ele fazer o que quisesse. Com certeza virão outras!

Um dos shapes feitos pelo Gui. Seria esse o JN Charles?

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