A bagagem de cada um – visões diferentes de uma mesma coisa

 13/11/2012   

      Assim como na vida pessoal, no skate temos escolhas únicas, que nos diferenciam dos demais. A gente escolhe em que pico preferimos andar, que tamanho de skate preferimos usar, roupas, sons que ouvimos e todo tipo de fator que vai influenciar na hora da sessão.

     A escolha das manobras também entra no gosto pessoal. Cada skatista vai dar uma manobra que vem na cabeça devido a ideia que tem do que fazer naquele local. Por exemplo, quando vamos a um pico que já foi explorado inúmeras vezes e temos que buscar na memória quais manobras já foram dadas ali e quais ainda podem ser executadas. Vai da cabeça de cada um a “invenção” do que fazer e, o interessante, é que algumas pessoas tem uma visão diferente de outras e conseguem fazer da simplicidade a maior arma do rolê.

     Um cara que exemplifica bem esse pensamento é o americano Austyn Gillette. Eu sempre fui fã dele, e suas partes de vídeo nunca decepcionaram. Sua nova parte da Habitat em conjunto com a Thrasher traz a visão de Austyn de picos novos e de outros já explorados, transformando 7 minutos em uma agradável aula de skate. O ensino ali não é pelo nome do skatista, até porque, Austyn Gillette, com apenas 21 anos, terá muito tempo pela frente para ser uma lenda, mas sim, como a visão do skatista pode ser diferenciada. Não precisa ser incrivelmente técnica e dar manobras absurdas, basta, apenas, ser simples e ver as coisas de um modo diferente.

     O maior exemplo de criatividade desta parte, é, para mim, o backside nollie to switch fifty backside ollie out (do jeito difícil), aos 3 minutos e 35 segundos do vídeo. Esta manobra me surpreendeu pois a borda onde ela é executada pode ser vista em quase todos os vídeos de skate. Essa é a famosa borda em que Dennis Busenitz deu switch pivot fakie flip out. Seria difícil para alguns skatistas verem novidades ali, mas Austyn adicionou coisas novas a um simples switch fifty e transformou a simplicidade em dificuldade.

     Austyn é um daqueles skatistas que conseguem expandir a visão de um mesmo local. Leo Romero é outro exemplo disso quando começou a subir corrimãos ao em vez de descê-los. É como se as ideias viessem primeiro na cabeça desses caras. São coisas que achamos simples, depois que foram executadas, mas nunca haviam sido pensadas antes. Neste mesmo grupo de skatistas temos os brasileiros Daniel Marques e Akira Shiroma. Akira é protagonista de um antológico ollie varando um canteiro de plantas na avenida Paulista. Onde todos davam manobras de borda, Akira viu o pico de um jeito diferente e mandou para baixo.

     Posso dizer inúmeros skatistas assim, e ouso dizer que a maioria é desse jeito: criativos. O skate tem que ser assim, criativo. Cada um tem que buscar o seu skate. A técnica (flip in-flip out) e aquela velha fórmula “quanto maior, melhor” são, claro, interessantes e divertidas, mas não são as únicas formas de um skatista ser reconhecido. A criatividade tem seu espaço e merece mais respeito. É mais divertido andar de skate de maneira diferente.

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