Keelan PRO, mercado distorcido.

  15/01/2013 

       No início do ano, após o frisson do último vídeo da DGK – Parental Advsory, a marca de Stevie Williams passou o amador Keelan Dadd para a categoria profissional. O lançamento do seu pro model aconteceu nos primeiros dias de 2013 e contou com uma festa, como de costume.

     A questão que quero abordar sobre esse tema é a seguinte: está tudo muito business, já não se faz mais mercado como antigamente. Como assim? Bom, vamos aos fatos que defendem minha opinião: Keelan Dadd, 24 anos, teve sua grande parte (e única) no último vídeo da DGK. Não foi a que abriu, nem a que fechou. Está na marca há pouco mais de 2 anos, menos tempo que, por exemplo, Dwayne Fagundes. Teve sua fama graças à Paul Rodriguez e Nigel K Alexander que os enfiava em todo vídeo que queriam. E o que mais? Eu não consigo lembrar mais nada relevante que este garoto tenha feito e que tenha deixado claro que ele devia ser pro em algum momento. Nenhum campeonato importante que ele tenha ganhado, nada.

     Se é por causa dessa parte do Parental Advsory, sinto muito, mas essa desculpa pra mim não cola. A parte do Marquise Henry é muito mais embaçada, ele é muito mais skateboard e tem muito mais bagagem que o Keelan e é amador até hoje. Só que ele não é tão polêmico quanto Keelan Dadd e por isso vende muito menos.

     O que Keelan tem feito e soube fazer muito bem todos esses anos é meter a marra. O cara é todo cheio de estilo e etiquetas, um verdadeiro gangueiro. Isso é muito legal, é genuíno do cara e é completamente perfeito para a DGK. Só que eu não sei quando que estilo de roupa tenha levado alguém ao status de pro antes… Ele anda bem, mas até aí, muitos amadores também andam e são amadores até hoje, como o próprio Marquise e o (eterno) amador Kelly Hart, ambos com muito mais experiência no bolso.

     Por isso que afirmo que a passagem dele pra pro é puro business. Ele e toda a imagem que ele carrega, atrai uma parcela do mercado sedenta por valores distorcidos do verdadeiro skateboarding. Ou, sendo menos radical, valores novos, como a cara de mal e a roupa descolada. Além disso tudo, ele tem patrocínios da moda como Mountain Dew, Supra e, é claro, a aclamada DGK, ou seja, um prato perfeito para crianças que copiam estilo alheio.

     Por falar em mercado, há também uma puta falta de respeito com muitos caras mais velhos da cena. O que falar, por exemplo da treta do Anthony Pappalardo com a Converse? Em entrevista à revista digital 48blocks, Pappalardo desceu a lenha e disse que estavam vendendo seu tênis e não lhe pagando um centavo e que, em palavras dos responsáveis pelo time de skate da Converse, “o time era composto de atletas nível A e Pappalardo era um pro nível C”. Uma total falta de respeito pela história de um dos maiores skatistas de NYC (mesmo que ele não seja natural de lá).

     Para você entender como essa história é foda, a Converse hoje não tem sequer um site próprio de skate no ar. Se você botar no Google “Converse Skateboarding”, é direcionado para uma loja online vendendo um décimo da coleção total de skate. Rumores de que, além de Pappalardo, Ethan Fowler e Rune Glifberg também estejam rompendo com a marca. Vê? Os mais velhos, com mais experiência e os que mais deveriam ser respeitados.

     Ah, e em 2013 a marca apresentou uma nova linha de skate shoes com a tecnologia Lunarloon no solado, ou seja: pode esperar tênis de skate da Converse na loja de shopping mais próxima de você, com certeza, com aqueles modelos feios a 400 reais por causa de uma tecnologia insole.

     Isso, sem falar na Zoo York que desligou Eli Reed e Zered Bassett do programa de skate para fazer um time mais “jovem”. Isso sem falar na Ipath que, após ser vendida para a multinacional Klone Lab, tirou todo o time de skate. Isso sem falar na Gravis e na Analog que deram adeus ao mundo do skate e foderam com a vida de vários skatistas. Isso sem falar em Devine Calloway que, até hoje, ninguem soube me dizer por que diabos ele não teve nenhuma manobra no Pretty Sweet.

     O que eu estou tentando mostrar é que a indústria está toda fodida. O pensamento hoje é lucro e somente lucro. Essas atitudes exemplificadas só me levam a acreditar que o respeito pelo verdadeiro skatista está sendo deixado de lado e o dinheiro está vindo na frente.

     Quanto ao Keelan Dadd, sei que isso sempre existiu, o estilo é algo que conta muito no skate e isso vai além de como o cara dá determinada manobra. Só que eu não consigo entender como só isso vale de desculpa para alguém virar pro, ter pro model e ter status de foda por aí…

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