Bicha

11/11/13

Certo, o que mais está sendo discutido é essa capa da revista Vista, né? Então vamos lá. Vou separar esse post em tópicos para que sejam lúcidos a cada correspondência que irei fazer e para que façam sentido sem um tópico necessariamente depender do outro.

Para começar, quando fiquei sabendo desta capa, antes mesmo dela aparecer, por alguns amigos, já sabia que ia causar polêmica, mas não apenas por tratar-se de homossexualismo, mas também por não ter uma manobra na capa. Fiquei feliz pra caramba quando soube que a capa era do Fernando Martins porque sempre que ouvi falar dele, pelas pessoas que o conhecem, foi tipo: “O Fer é um gênio” e isso era realmente perceptível pra mim nos trampos ateriores dele. E legal de ser ele porque ele pareceu ser uma pessoa que realmente conseguiria “segurar o B.O.” da capa.

Mas voltando à ela, uma revista de skate sem uma manobra na capa? É estranho, mas é a Vista, e se for parar para pensar, até a Thrasher já fez capas sem manobras. Uma capa sem manobras é válido sim, por mais estranho que possa parecer, porque em uma publicação não existem regras, ainda mais em skate. Isso que começou a me cheirar estranho, como se existissem regras à uma revista de skate e, consequentemente, ao skate. Como se só fosse “skate de verdade” (expressão muito estupidamente usada esses dias) se fosse uma manobra de um skatista hétero…

A homossexualidade: gente, isso existe, tá? Não é só porque você não é gay, que isso não existe no mundo do skate, futebol, MMA, ou qualquer outro esporte, ou melhor, em qualquer situação sociável do mundo. Ninguém está “te tirando” porque é homossexual, a pessoa simplesmente fez uma escolha, assim como você escolheu. Se o gay der uma switch flip tail de back bigspin out você não vai aplaudir? E se esse gay for seu amigo, você não vai mais andar com ele? Não vai mais apertar sua mão? Abraçar então nem pensar né, porque aí você vai achar que ele quer te comer! E você, mesmo assim, ainda se diz cabeça aberta? Ah, é, você não é homofóbico…

No skate, esse assunto é MUITO frequente. O jornalista americano de skate Robert Brink vive tentando fazer com que alguém se assuma homossexual para ter sua matéria da vida, mas não para ser cretino, mas para que as pessoas abrissem suas cabeças. Teve até um episódio do Weekend Buzz que é o programa que ele apresenta junto com a Erica Yary que ele deu um selinho no Richie Jackson para mostrar que o preconceito é besteira. Além disso, vivem questionando se o Brian Anderson é gay, Austyn Gillette, Raymond Molinar, Dylan Rieder etc. E se eles forem? Você pararia de comprar o Project B.A.?

A capa da Vista: Pra começar, uma revista é um pedaço de papel onde, quem é dono, faz o que bem entender com ele. Não gostou? Acha que faz melhor? Pois então faça. Simples assim. Hoje, em dias de Internet, ninguém mais é refém de nada, só se quiser! Com essa capa não é diferente, foi feita nela o que quiseram fazer. Ou a capa da Cemporcento com o Arame andando de skate em uma minirrampa presa à um balão é normalzinha? Ah, ela tem manobra né, esqueci a regra da manobra na capa…

Ontem conversando com um grande amigo meu ele me disse algo que me motivou a fazer esse texto, porque realmente eu não sabia o que falar, como falar, porque tudo o que tinha pra falar já estava sendo discutido nas rodas de amigos por todos os cantos. Mas ele disse o seguinte: “a capa foi para causar polêmica e conseguiu. O mais engraçado é que aqueles que se dizem não manipulados, anti-sistema e anti-lavagem-cerebral tiveram suas opiniões manipuladas por uma capa de revista. A capa atingiu seu objetivo, mostrou o verdadeiro lado dos caras, seja pró ou contra”. Essa fala desse meu camarada abriu a minha mente e me fez ver que realmente a situação é muito mais engraçada do que parecia ser. É a capa de revista sobre skate mais falada desde a capa da revista IstoÉ que tinha um skatista com uma arma. Realmente incomodou!

Realmente eu não acho que “usaram o skate para se promover”, como muitos disseram, mas acho que rolou uma promoção dos envolvidos, sim. Isso é inegável.

A revista Vista número 50: Bom, aqui está o tópico mais chato desse meu post porque é justamente por causa dele que eu não queria escrever sobre esse assunto e também por causa disso que eu apaguei todos os meus posts no facebook referentes à essa revista. A Vista 50 realmente me deixou chateado.

A capa teve polêmica e depois essa discussão não foi tão aberta assim dentro. Teve uma passagem do Fernando Martins no editorial e depois… mais nada. Porra, um assunto tão forte sem nem uma matéria por trás? Uma caçada as bruxas para tentar achar alguém homossexual no skate? Faltou jornalismo…

Depois, você abre a revista e lê os textos (sim, texto existe em revista de skate e eu os leio, aliás, tento viver disso!!!) e acaba vendo muitos erros. No próprio editorial rola um “TÁ ENTENDO?” em uma total e completa falta de revisão. “Tá entendo” não existe, não é nem gíria, nem vem! Depois, vendo outros textos, dá para perceber tristemente uma falta de revisão, correção ortográfica e, na maioria deles, muito erro de pontuação e de continuidade. É triste, eu posso estar sendo chato e reclamando por causa de uma vírgula, mas ela pode mudar totalmente o sentido da frase. Tipo isso: “você é meu amigo, velho” e “você é meu amigo velho”. Viu a diferença? Pois é. Muitos textos estão com erros de sintaxe e concordância.

Fiquei muito triste com o texto da Elisa Steamer, que é uma GIGANTESCA pauta e foi tão mal escrito e não revisado. Pode juntar uma frase na outra, tá? Sem problema nenhum. Mais uma vez, faltou jornalismo… Botar vírgula em vez de ponto não é alterar o que a pessoa fala!

Me deixou feliz a matéria feita pelo Guega Cervone. E as fotos da revista, que são seu ponto alto, com certeza. Belíssimas imagens. O miolo da revista, com um editorial em inglês também ficou legal.

No geral é isso. O que ficou claro pra mim é que pensaram tanto artisticamente e polemicamente que esqueceram de um conceito tão básico em uma revista que é o texto. A capa para mim não tem problema nenhum, acendeu a discussão frequente, não só no skate mas na sociedade. O homossexualismo está aí, está cada vez mais aceito (ou é só falatório?). E vamos confessar: cada um faz o que bem entende, né? Deixa o cara ser ele mesmo, porra.

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