Eu entendo o Pappalardo

02/12/13

Eu gosto muito do skate do Anthony Pappalardo. O estilo simples de manobras consistentes me prende muito a atenção e me faz sempre ir atrás de vídeos e fotos dele. Aquela parte do Mosaic dele é sensacional.

Mas ultimamente quase não se ouve falar mais dele. A parte do Fully Flared teve críticas negativas por ser “simples demais para um vídeo da Lakai” (como disseram) e no outro vídeo da Girl/Chocolate, o Pretty Sweet ele nem apareceu. O que acontece com o Pappalardo?

Na real eu sei o que acontece. Depois de ter sido filha-da-putamente apunhalado pelas costas pela Converse em acordos de tênis absurdos, ele desgostou de andar de skate por pressão. Imagine você ter o tênis mais vendido do ano e nos últimos meses ser dispensado sem mais nem menos? E no ano seguinte ainda continuarem vendendo tênis com seu nome! Deve ser realmente frustrante.

Isso foi no começo desta década (é, parece estranho falar isso mas já estamos na década pós ano 10 dos anos 2000) e depois disso quase nada saiu dele e o que sai é um olliezinho aqui, uma imagem de instagram ali (o que são muito comemorados pelos fãs, tipo eu). Em 2009 saiu um vídeo dele falando que estava, além de andar de skate, trabalhando em marcenaria, construindo pequenos bancos e mesas de madeira. Normal, todo skatista tem outros afazeres.

Mas eu consigo entender o porquê dele ter se afastado e de não aparecer muita coisa sobre ele nos últimos tempos. Realmente, a indústria do skate é cruel, uma vez que você não se adapta, você fica para trás, é pior que outros esportes. No futebol, se você joga pra caralho e decai o nível, você vai para um time menor e tudo bem. No skate não, você é esquecido, ainda mais hoje em dias de internet e fanatismo. Parece que é uma grande balela esse negócio de “estilo próprio” uma vez que se você não tiver um nível AAA+ no skate, você não sobrevive. Ou você acha que Nyjah hoje em dia faz sucesso com a garotada a toa? Parece que skatistas como o Pappalardo fazem sucesso com os tiozões e pessoas que estão ligadas mais ao sentimento core do skate do que com os garotos sedentos por manobras de videogame.

E, de fato, não é só porque é skate, só porque a gente é louco por isso, que as pessoas não enjoam. Vejam os músicos, por exemplo: você ouve o Metallica do começo da carreira e jamais imagina que 30 anos depois eles iriam fazer um disco com o Lou Reed e que seria tão ruim. Mas isso mostram que eles são humanos, que podem sim mudar de gosto de um dia pro outro, podem querer fazer outras coisas e não ficar preso em uma coisa só. A vida é muito curta pra fazer só uma parada a vida inteira. Imagina você ser caixa de super mercado até morrer? Não dá, né.

Eu entendo o Pappalardo e ficaria muito feliz de saber que ele está fazendo outra coisa além do skate e se divertindo. A vontade de vê-lo andando pode ser saciada com o Youtube (thank god for internet vídeos!) e está tudo bem.  Mas se um dia ele soltar outra parte aí sim eu fico feliz!

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