Keep (real) skateboarding alive

16/12/13

Nessa era de nyjahs, grandes corrimãos, street league, campeonatos milionários, grandes companhias multiesportivas controlando os negócios e fechando empresas “core”, grande parte do skate ficou chato. Ficou cansativo, apelativo, perigoso demais, difícil e surreal. Ficou robótico e sem emoção.

Porém, há um movimento que vai contra todo esse skate impossível e mantém as raízes fortes nos lugares que elas deveriam estar. Esse movimento é comandado não por marcas nem por modas, mas sim, por skatistas. Gente que nem eu que está sofrendo pra dar um nollie heel de back no solo enquanto nos vídeos, os caras estão pulando escadas de 20 degraus com essa merda. Não que eu não aprecie esse tipo de skate… tá, eu não aprecio. Eu gosto de ver vídeos em que eu possa me identificar, sentir a dificuldade como se fosse realmente eu tentando ou ver o que o cara mandou e falar “po, eu podia dar tal manobra nesse pico”.  Eu gosto de skate de verdade, não de videogame.

Ver alguém descendo um corrimão gigantesco sem uma expressão no rosto não me traz nada além de sono. Agora, ver o Dane Burman quase se matando em cada manobra que dá, voltando tudo “mais ou menos” é muito dahora. É como eu voltaria as manobras se tivesse coragem pra tentar andar onde ele anda.

É muito legal ver de volta no complys, wallrides e variações de shove-its nos rolês. São manobras que, além de possíveis, são divertidas. O skate é isso: diversão. Se tirar isso e colocar metas impossíveis só para ganhar dinheiro então não tem sentido, pelo menos pra mim. Eu entendo que essa evolução do skate é natural e que uma hora ia rolar. Mas não consigo aceitar que isso seja motivado pelo dinheiro e por grandes corporações. Acho inaceitável o fechamento da World Industries (que encerrou as atividades recentemente) e o ápice da New Balance, por exemplo.

Por esse monte de coisa que está acontecendo com o skate hoje, acho que é dever dos skatistas saberem qual seu papel nisso tudo. Em vez de comprar um shape da moda, comprar um core, ajudar o camarada que está com a marca nova, que está ajudando os skatistas. Comprar em lojas de skate verdadeiras e não surfshops que se renderam à moda do skate. Andar por amor e do seu jeito. Dar as suas manobras, por as suas roupas e não se preocupar com o que está rolando na última Thrasher. Se bem que a Thrasher ganhou um puta desconto elegendo o Ishod Wair SOTY do que outros. Eu tive a oportunidade de andar com o Ishod e sei que ele é skate puro, anda por amor e porque se sente bem fazendo isso (ele ainda me deve 20 dólares por não acertar a manobra da nossa aposta, mas, né, OK, SOTY).

2013 foi um ano doido para o skate. Foi muito ruim e muito bom ao mesmo tempo. Ruim por ver que, realmente, o dinheiro está tomando conta de tudo; grandes corporações e campeonatos sem sentido também. Bom por saber que, apesar de tudo isso, tem gente que quer manter o verdadeiro espírito do skate vivo. 🙂

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