Todo lugar tem alguém que anda bem

12/04/2014

Isso não se pode negar: todo pico, seja ele somente um chão de cimento onde os garotos brincam no solo ou uma pista completinha, tem alguém que anda bem pra caramba, muitas vezes melhor que você. Um moleque que você nunca ouviu falar ou viu na vida chega e manda as coisas tranquilamente, de switch e de base, de fakie e de nollie e você fica tipo “quem é esse?”. Isso acontece muito, principalmente indo a vários picos diferentes e conhecendo gente nova. Você acaba conhecendo pessoas que, sem patrocínio ou apoio nenhum e, consequentemente, sem espaço na mídia, andam muito e não estão nem aí, vão continuar andando independente do que aconteça. Antigamente, a gente ia aos picos e já conhecia (por cima) quem eram “os caras” de cada lugar. Hoje, tem uma par de moleque novo e bom que você nem manja o apelido.

Então, qual é o diferencial? Se em todo lugar tem alguém andando bem, o que torna esse skatista alguém a ser visto, lembrado e apoiado? O que faz desse cara, realmente, um skatista? Qual a linha que se tem de cruzar entre alguém que anda de skate e alguém que é skatista? Basicamente, nenhum. São coisas totalmente diferentes.

É um puta erro pensar que só porque o cara anda bem e manda manobras difíceis tem que ser mais ou menos considerado do que alguém que manda somente um ollie. Às vezes, o ollie tem tanto ou mais significado do que um nollie heel crooked nollie heel out. É só pensar no Reese Forbes, que tem um dos ollies mais lindos que existem. Por que ele deve ser comparado a caras como Nick Tucker, por exemplo, que é um moleque que anda a zero por hora e manda manobras incrivelmente técnicas?

O estilo conta E MUITO! Mas isso é até um clichê, se formos pensar bem. Isso meio que todo mundo já sabe! E tem gente até que força estilo. O que são esses YO flips, que são manobras pegadas com o pé da frente? Que coisa feia. E essa mania dos garotos andarem com os braços “largados”? É muito forçado. Isso sem falar nas roupas, que tem gente copiando (feiamente) todos os estilos possíveis. Uma vez vi um moleque com camiseta da DGK, boné 5pannel (ah, esse está praticamente um item de moda) e calças apertadíssimas e com a barra dobrada, no melhor estilo Dylan Rieder. É um mix de tudo, sem estilo próprio que grita no exterior a falta de skate do interior de cada ser.

Acho que o que mais conta é a sensação que se tem ao andar. Você ver aquela pessoa dando o rolê dela, se divertindo, andando porque gosta, sem se preocupar com o que outros vão pensar ou com marcas, patrocínios e tendências. Esse é o skatista.

Todo lugar tem alguém que anda bem, mas nem todo pico de skate tem um skatista.

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