Skate na voz de quem?

27/05/2014

O skate não é mais o mesmo e isso todo mundo já sabe. Com a Internet, o skate ficou acessível para todo mundo e fácil de ser encontrado em qualquer lugar. Eu moro em São Paulo e sei que na cidade o bagulho virou febre, é skate por todo lado e todo tipo de gente entrou na onda. Moda. Sim, o skate virou moda e está aí para quem quiser participar.

E, porra, é fácil pra caramba você andar de skate bem hoje em dia. Tem canais de vídeo ensinando a dar manobras, explicando a diferença entre elas, fazendo vídeos com “termos” de skatistas e, até mesmo, ensinando como montar um skate, colocar lixa etc. Já vi vídeo até falando o que vestir para se parecer um skatista! Várias páginas nas redes sociais fazem um trabalho juvenil de divulgação do skate, usando fotos de outras pessoas, fazendo propagandas em cima de imagens do google, e tem milhões de “likes” e compartilhamentos, também.

Eu não sou de uma época tão longínqua, mas “na minha época” não era assim não! As peças eram compradas na loja, a gente ia experimentar o tênis, ver o concave do shape na mão, sentir o peso dos trucks, tacar a rodinha no chão pra ver se era seca, essas coisas. Até hoje faço isso tudo, porque foi assim que eu aprendi, sem vídeo nenhum me dizendo que era pra ser assim.

A gente não usava maple sempre, não tinha rodas gringas e os eixo da Crail não eram tão bons quanto os de hoje! As lixas não custavam 30 reais e as lojas não tinham wi-fi liberado. Até porque nem existia necessidade para se ter wi-fi liberado por aí!

E aprender as manobras? Era perguntando e “pedindo a base” para os caras mais velhos que andavam comigo. Meus maiores professores dentro do skate foram meus amigos! Hoje os moleques nem sabem andar direito e estão fazendo vídeos ensinando manobras… É bizarro.

Pessoas sem crédito nenhum em cima do skate estão se tornando detentores de vozes que atingem um número inimaginável de visualizações e estão mostrando um skate totalmente tosco (não no bom sentido), vendável (principalmente para a TV e para adolescentes sedentos por informação primária) e mainstream.

Beleza que, na rua, ainda o skate está nas mãos dos verdadeiros skatistas, mas até quando isso pode ser assim? Eu vejo uma força enorme desse skate popular crescendo a cada dia, enquanto poucas pessoas ainda sentem o gosto de dar uma remada no asfalto e um ollie subindo a guia. (rimou!)

Fiquem de olho nesses gaiatos que estão por aí falando de skate e conheça bem o cara que está apresentando um vídeo pra você. O skate é MUITO mais que internet e não está nas skateshops online e, muito menos, nos vídeos de pessoas sem graça querendo fazer humor efêmero em cima de coisas de skate. É dever, sim, de quem anda proteger o que o skate tem.

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