Atualizando – Rodrigo Pozão

Em 2012 o Trocando Manobras trocou ideia com Rodrigo Pozão, skatista da capital de São Paulo, e, lá mesmo há seis anos, a gente já falava sobre viagens. Ir pra fora da capital pra andar de skate sempre foi uma coisa comum na vida do Rodrigo.

Agora em 2018, com outros patrocínios e levando uma outra vida, o Pozão foi para os Estados Unidos e a gente, claro, fez questão de trocar uma ideia com ele pra saber como foi realizar mais um sonho em forma de viagem. Saiba tudo agora:

 

Trocando Manobras – Fala Pozão, beleza? Faz seis anos desde a sua última matéria aqui no TM. Como está sua carreira agora?

Rodrigo Pozão – Salve TM! Minha carreira mudou no sentido que hoje eu trabalho mais. Eu trampo com skate, ando de skate todo dia, mas andar de skate pra mim, treinar, isso diminuiu. Mas mesmo assim, esse ano foi muito bom para o meu skate, fiz a viagem que eu queria, andei bastante, corri vários campeonatos…

Mudou a minha cabeça, não ando mais de skate todos os dias oito horas por dia, todos os dias da semana. Isso diminuiu um pouco.

 

TM – Você é um dos poucos amadores aqui no Brasil que tem patrocínio de marca gringa. Como foi entrar pra Ouderspace?

RP – Eles abriram um concurso mundial de vídeos sponsor me e eu mandei o meu. Eu nem pensava que ia rolar, mandei bem desencanado, mas acabou rolando!

Os caras são extremamente profissionais. Esse ano eles me levaram para os Estados Unidos, bancaram praticamente tudo, bancaram passagem, fiquei na casa do dono. É uma relação muito legal, bem de família mesmo, tanto que o dono da marca me falou na viagem que escolhe seus team riders por feeling de pensar “esse cara é um cara da hora!”. Ele viu alguma coisa que curtiu em mim e o cara é excepcional, diferente mesmo. O nome dele é Timothy Ramon e ele curte pra caralho o skate e trabalha certinho, faz o corre.

Agora no dia de Ação de Graças, a Ouderspace pegou 300 shapes e foi entregar pela cidade. É um bagulho dahora! É uma marca pequena, de San Jose e lá a galera respeita, curte, conhece.

 

TM – E me fala sobre sua viagem com eles. 

RP – Eu fiquei um mês nos EUA. Cheguei em Los Angeles e fiquei 10 dias. Lá andei por Venice e mesclei por picos turísticos e outros mais mocados de skate. Depois quatro dia em San Diego e depois subimos tudo para San Jose, que é seis horas de L.A. Depois fomos pra San Francisco, Oakland e terminamos em Santa Cruz.

Todo dia filmamos, de 30 dias que fiquei lá, andei no mínimo uns 25.

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Ouderspace Crew

 

TM – Foi em algum pico clássico?

RP – Vários. Acho que o mais clássico foi o Hollywood High e lá eu sofri, hein? Já era o nono dia de viagem, andando de skate todos os dias, eu estava quebrado.

A escada é gigante mesmo, muito grande, e eu nem ia tentar, mas os caras ficaram me pilhando pra dar um ollie. Eu tentei umas 10 vezes, mas não rolou e decidi parar pra não estragar a viagem, ainda faltavam 20 dias.

Lá rola isso, né? Você chega nos picos e pensa “como que os caras andam aqui?”

 

TM – E nessa de pensar no nível dos americanos, como que é a comparação deles com os amadores brasileiros?

RP – Cara, está pau a pau. Corri um campeonato lá, mas achei que o nível deles é bem parecido com o dos brasileiros, mesmo os caras tendo uma estrutura de peças, picos e oportunidades diferente da gente.

 

TM – Como que uma marca pequena lá fora consegue se manter?

RP – Lá eles tem a mentalidade de se ajudar. Quem é o do mesmo bairro compra, comenta, espalha. Lá a cultura é diferente mesmo. Aqui rola dos skatistas não quererem pagar pau pra marcas locais, é bizarro.

 

TM – Fora que a gente compra a ideia dos gringos…

RP – Fora isso. Lá eles não tem essa cultura, eles apoiam a cena local. A Ouderspace é de 2012 e está lá fazendo acontecer, tem linha de roupa, de shape, lançou um shape assinatura do Angelo Ortega (que é muito sinistro, mas não é pro) então a galera que curte o cara, compra porque o dinheiro vai pra ele.

 

TM – Os picos dos EUA são perfeitos ou é mais difícil pessoalmente?

RP – É mais difícil. É perfeito, mas é maior, mais extenso, diferente do que a gente vê nos vídeos. Mas lá você tem fácil acesso à peças boas e isso ajuda a evoluir.

Mas com certeza você chega nos picos e pensa “caralho, como tal pessoa deu tal manobra?”. Você realmente dá valor para os skatistas.

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Mais difícil que parece! Half Cab (foto: Edgar Hernandez/Ouderspace) 

TM – Você pensa em morar nos EUA em algum momento da sua vida?

RP – Penso sim, mas quero fazer as coisas legalmente, não quero ir na doideira. Quero trampar normal, andar de skate. É que lá as marcas tem mais estrutura e podem te dar um suporte melhor, mas se você for só no intuito de conseguir patrocínio e viver do skate é mais difícil.

Senti que nos EUA é mais justo e se você trabalhar, você tem as coisas. Você não simplesmente paga as contas apertado. Se você trabalhar, consegue ter certos luxos e fazer as coisas que você quer.

 

TM – Você foi pra Europa e acabou de voltar dos Estados Unidos. Qual curtiu mais?

RP – É bem diferente. Na Euro você se sente mais livre, não depende muito de carro e as pessoas são mais calorosas. Já nos Estados Unidos, é legal porque você tem tudo. Pra gente que gosta de skate e música, você tem tudo e de boa qualidade, sabe?

Eu experimentaria morar um pouco nos EUA, mesmo a galera sendo um pouco mais fechada.

 

TM – Vai sair algum vídeo dessa tour com a Ouderspace?

RP – Já era pra ter saído, na real, mas talvez até o meio do ano que vem saia. Eu não vi nada ainda, as imagens estão todas com eles.

 

TM – Você é um cara que sempre fez bastante videoparte, mas faz um tempo desde a sua última. Está filmando pouco ou está guardando imagem?

 

RP – Minha última videoparte saiu no final de 2016. Ano passado filmei pouco por conta de várias coisas. Era pra sair uma parte agora em 2018, porque na real vai sair o vídeo da tour com a Ouderspace e uma parte minha separada, mas ano que vem está aí.

O máximo que fiz foi juntar imagens de instagram e juntar.

 

TM – Falando nisso, você acha que a galera está gastando manobra boa no instagram?

RP – Eu acho. Hoje em dia o instagram é uma vitrine. Então é gastar imagem, mas aproveitar de outra forma, já que o pessoal usa muito mais o instagram do que o youtube, por exemplo. Até os stories já estão substituindo os posts.

Acho que é uma tendência de estar tudo sendo mais rápido, a galera não está mais com paciência nem de juntar imagem nem de ver uma parte de cinco minutos, que a pessoa vai ver uma ou duas vezes no máximo. Agora, no instagram, a pessoa vê ali quantas vezes quiser. É forma mais rápida de você mostrar, mas eu ainda sou a favor da videoparte, de trabalhar, juntar imagem, tem edição, músico, todo um conceito.

Eu, particularmente, estou de saco cheio das ediçõezinhas do instagram. Aquele trap, ediçãozinha com zoom, o sinalzinho da moda… Já encheu o saco.

 

TM – Você ainda tem o sonho de passar pra profissional?

RP – Tenho sim. É mais porque eu percorri esse caminho a minha vida toda, acho que seria legal. Uma hora quero sim, não sei como, nem quando, nem porquê, mas uma hora se rolar, vai ser da hora.

 

TM – Fora o skate, o que tem preenchido seu tempo?

RP – Ainda é skate, mas o trabalho tem sido algo que eu aprendi a gostar muito. Eu dou aulas de skate, então eu estou ali para transmitir o que eu gosto então é bem legal. Não é com todo mundo, mas com algumas pessoas você consegue mudar e direcionar a vida das pessoas.

E é claro, a vida de casa preenche meu tempo também. Agora casado, com as responsabilidades, isso tudo é meu dia a dia.

 

TM – Quer dar algum salve final?

RP – Para os meus amigos, minha família, pro TM e pra Ouderspace. Pra geral!

 

WhatsApp Image 2018-12-20 at 11.41.49Pico clássico teve de monte, agora é esperar pelos vídeos em 2019! Valeu Pozão! (Foto: Edgar Hernandez/Ouderspace)

 

 

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