Quem está ganhando dinheiro no skate brasileiro?

O skate está em alta e isso não é de hoje. Vai pras olimpíadas, tem atenção global e, a cada dia que passa, mais e diferentes bons skatistas são vistos nos instagrams da vida. Parece que, dessa vez, o skate não tem fim como teve em não tão distantes décadas passadas e que a sociedade engoliu a seco e, se não aceitou, está olhando com bons olhos a nossa atividade contraventora.

Mas olhando com uma lupa de aumento, todas essas características macro parecem distantes no micro, já que pra quem vive (ou tenta viver) do skate no Brasil, é um corre diário vendendo o almoço pra pagar a janta. O nosso país é um dos principais expoentes do skate moderno com seus Luans e Kelvins da vida, mas a conta não bate quando o assunto é o todo.

Analisando o cenário atual, podemos perceber que existem poucas marcas core brasileiras de skate hoje em dia. Crail, Drop Dead, Ous e poucas outras ainda se mantém vivas, mas não, necessariamente, bem das pernas. O que antes fora um mar de rosas, tem se tornado um tormento manter uma marca de peça ou com um grande time na atividade. Isso é reflexo das crises nacionais, políticas e financeiras? Sim, também. Mas a má administração de negócios e, principalmente, a globalização tem que entrar nessa conta.

Seja pelo fator internet ou porque os americanos são filho da puta de bom no marketing, um moleque prefere comprar um Baker do que um Agacê, por exemplo. Seja pela mística criada em cima dos produtos e skatistas americanos ou seja pelo bom trabalho que eles fazem, o comprador brasileiro hoje tem mais inspirações fora do país do que dentro. E mesmo se o moleque quiser copiar o ídolo brasileiro, vai ver que todos os seus patrocínios são de marcas gringas e aí, meu amigo, fica difícil competir.

As poucas skateshops também entram nessa matemática que não bate, já que ao entrar em uma você se depara mais com shapes da Santa Cruz e da Creature do que com marcas nacionais que fazem trabalhos locais. Os poucos lojistas core que ainda se mantém também enfrentam dificuldades já que o skatista raiz tem seus contatos e seus corres para conseguir peça e, dificilmente, compra alguma coisa numa skateshop. Já vi lojista agradecendo o longboard por se manter aberto, já que os praticantes dessa modalidade e os simpatizantes são os que mais compram em seus negócios.

Mas talvez o foco da marca core brasileira não seja mais competir com as gringas e sim fazer um pequeno e modesto trabalho local, fortalecendo a cena das cidades em que está inserida e patrocinando heróis locais no limite de seus poderes financeiros (nesse caso, ambos entendem os limites, tanto a marca quanto o skatista e tem dado certo na maioria dos casos). Mas não podemos mais achar que a concorrente da Crail é a Indy ou que a Revista CemporcentoSKATE tem o mesmo poder que a Thrasher. Pensar nisso pode ser até uma aspiração positiva, mas é um tiro no pé olhando o cenário atual.

Tente pensar em 10 marcas nacionais de peças de skate que fazem um trabalho core. Que faça vídeo, dê salários, faça viagens. Dez parece ser um número alto, mas se a gente pegar os anúncios de uma revista de skate de 10 anos atrás, tinha muito mais marca. E se a gente pensar em revista, o número é menor ainda, já que no impresso é só a Revista CemporcentoSKATE que mantém uma tiragem física em 2019. Sim, só tem uma revista de skate no Brasil!

Mas enquanto parece ser loucura manter qualquer coisa core de skate em terras brasilis, onde os apaixonados se ferram pra tentar viver do que gostam, marcas de fora parecem nadar de braçada na corrida financeira do skate brasileiro. Não preciso nem falar de Nikes e adidas, que já estabeleceram seu trabalho aqui faz tempo, mas é estranho observar times de futebol ganhando espaço entre os skatistas e fazendo trabalhos que não parecem ter tido o crivo de um skatista de verdade. Preciso mencionar o pro model de longboard do Corinthians do Sandro Sobral e do Fabio Sleiman?

Beleza, talvez se não fosse pelo Corinthians, um Fabio Castilho da vida, lenda viva do skate brasileiro, mas que parece não ter o reconhecimento financeiro nem ideológico que merece, não poderia viver somente do skate e teria que trabalhar de deus sabe lá o que para ajudar a si mesmo e sua família. Não estou dizendo que não podem ter esse tipo de marca ou corporação no skate, até porque sempre teve, mas o que não pode é essas marcas estarem ganhando mais dinheiro que marcas core comandadas por skatistas e que devolvem para a comunidade skatística brasileira de uma forma que time de futebol nenhum jamais vai fazer.

Mas voltando ao título do texto, você já deve ter me respondido que quem ganha dinheiro com o skate é o Luan de Oliveira, o Pedro Barros, a Yndiara Asp, Leticia Bufoni etc. Sim, eles ganham mesmo, ganham muita grana. Mas, novamente, nenhum deles tem patrocínio de marcas nacionais. Nem de peça, nem de acessório, nada. Se tiver, nem coça o bolso perante ao salário em dollar das marcas gringas e, principalmente, das marcas de fora do skate.

E, quando tem patrocínio de marca nacional, é da Petrobrás.

Enquanto esses nomes ganham salários de celebridade, milhares de futuros talentos nascem e morrem nas periferias das cidades brasileiras sem nem ter nunca ido à uma skateshop nem ter uma pista por perto. O skate brasileiro está em alta pra quem? Não está bem visto, não está com peças boas nem dando dinheiro pra molecada do meu bairro.

3 Comments

  1. Porra pura verdade , eu sou a prova disso andei muito nós anos 90 e tive que parar em 2000 por conta de de não ter como viver do skate fui trabalhar pra sustentar minha família e na minha opinião temos que dá valor as marcas da qui do Brasil eu só ando com peças nacionais meu shape mesmo só uso whodligh t temos que fazer uma campanha por todo Brasil vamos valorizar o que temos temos ,bons materiais, e temos bons atletas se perdendo

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